
Tubarão
Treze achados preciosos para desvendar um pouco mais sobre a nossa própria história foram localizados no sítio arqueológico Cabeçudas, em Laguna. As escavações iniciaram há duas semanas. Somente ontem pela manhã dois novos esqueletos pré-históricos foram encontrados.
O salvamento do sítio é feito por uma equipe especializada do Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia (Grupep-Arqueologia) da Unisul, em Tubarão. O que chama a atenção dos pesquisadores é a grande quantidade de ocre que recobre as ossadas.
A utilização deste tipo de argila evidencia um cuidadoso preparo do corpo antes do sepultamento. “Esse mineral já foi detectado em ossadas encontradas há algum tempo, mas o que vemos nestas novas descobertas é uma quantidade muito grande do material”, afirma a arqueóloga Deisi Scunderlick Eloy de Farias, coordenadora do Grupep-Arqueologia.
O sítio arqueológico Cabeçudas é conhecido e estudado desde o século 19. Com dois hectares de extensão, cerca de 300 esqueletos já foram retirados dali, a maior coleção de peças arqueológicas localizadas em um só espaço no país. As escavações ocorrem exatamente no ponto onde ficará um dos pilares da nova travessia do Canal de Laranjeiras, na BR-101.
Conforme a atual legislação, toda obra que impacte no meio ambiente precisa ser acompanhada por arqueólogos. A medida visa evitar danos em possíveis sítios arqueológicos. Quando alguma evidência é localizada, equipes especializadas são acionadas para remover o material do local.
Além do Grupep-Arqueologia, a escavação do sambaqui Cabeçuda conta com profissionais da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).