Zahyra Mattar
Tubarão
O Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, ronda insistentemente a região. E vem de carro, caminhão, ônibus, pela BR-101. Esta semana, o oitavo foco do voador foi encontrado em Tubarão neste ano.
Tanto neste caso quanto nos oito anteriores, Aedes fez sua ‘casa’ em locais próximos à rodovia. Os bairros mais visados pelo indesejável são o Humaitá de Cima, o Revoredo e a Vila Esperança.
“É preciso manter nossos imóveis em constante vigilância. Todos temos que fazer a nossa parte para que Santa catarina continue a ser o único estado brasileiro sem a doença”, atenta a supervisora do programa da dengue na 20ª Gerência de Saúde (Gersa) em Tubarão, Cláudia Ochs.
O oitavo foco foi localizado no bairro Humaitá de Cima. A maior preocupação é que ainda é começo de abril e a quantidade de casos já é o dobro da registrada no mesmo período do ano passado.
O gerente de saúde, Dalton Marcon, acompanha a situação de perto e disponibilizou todo o aparato necessário para que os municípios possam executar o trabalho de vigilância e combate.
Desde esta quarta-feira, a equipe do Programa de Combate às Endemias (PMCE) da prefeitura de Tubarão atua na vistoria dos imóveis e terrenos em um raio de 300 metros a partir do ponto onde as larvas foram achadas.
Serviço
Qualquer suspeita de presença de larvas ou do próprio mosquito deve ser comunicada imediatamente ao Programa de Combate às Endemias (PMCE). O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7 às 13 horas, por meio do telefone 3621-9600.
Focos confirmados em Tubarão neste ano
22 de janeiro – Vila Esperança.
29 de janeiro – Vila Esperança.
31de janeiro – Revoredo.
1º de março – Humaitá de Cima.
4 de março – Humaitá de Cima.
3 de abril – Vila Esperança.
7 de abril – Humaitá de Cima.
A peste voadora
O maligno é minúsculo, com cinco milímetros, mas quando está empestiado com a dengue transforma-se em gigante e derruba muita gente. Quando não deixa muito mal, mata. Sim, a doença mata!
Daí a importância de todos entrarem nesta guerra. A arma para combater o Aedes é boa vontade e senso de coletividade. Com isso, é fácil lembrar das medidas preventivas: evitar depósitos que contenham água limpa e parada em casas, empresas, escolas…
O mosquito é tão danado que aproveita qualquer lugarzinho com água. Se tiver sombra então… É a casa perfeita. Uma simples tampinha de garrafa é um “piscinão de ramos” para o voador.
A fase do ovo dura cerca de 14 dias. Depois, entra na fase larva por sete dias e então se torna adulto, com uma vida de 30 dias para disseminar a praga.
Depois de infectado pelo mosquito Aedes aegypti, a pessoa leva de quatro a cinco dias para começar a apresentar os sintomas: febre alta e súbita; dor retro-orbital (fundo dos olhos); mal estar, falta de apetite e náuseas.
A dengue no Brasil (dados até a última segunda-feira)
• São 17 estados com dengue. Um total de 630 mil notificados no país.
• De janeiro a março deste ano, o número da casos suspeitos de dengue subiram inacreditáveis 279%.
• Minas Gerais lidera o ranking de casos confirmados de dengue desde janeiro: são 165 mil notificações positivas e 37 mortes.
• A primeira epidemia no Brasil foi em 1981. Depois disso, os anos com maior incidência foram 1982, 1998, 2002, 2008 e 2010.
• Neste ano, uma das principais preocupações das autoridades de saúde, além do aumento significativo de casos em apenas três meses, é o fato de haver quatro vírus da dengue em circulação no país.
• O mais perigos dele, o DEN4, não era registrado no Brasil há 30 anos.
A dengue em Santa Catarina (dados até esta quarta-feira)
Total de focos: 1.549
• Janeiro: 363; • Fevereiro: 425; • Março: 530; • Abril: 226.
Número de casos por município
• Chapecó: 736; • Biguaçú: 16; • Cocal do Sul: 9; • Criciúma: 8; • Florianópolis: 29; • Garopaba: 2; • Joinville: 72; • Laguna: 1; • Palhoça: 13; • São José: 6; • Tubarão: 8.
Tipo de depósitos onde os ‘filhotes’ foram encontrados com maior frequência:
• Caixa d’água elevada: 16;
• Reservatório d’água baixo: 69;
• Armadilha: 1.019;
• Pequenos depósitos móveis (tampa de garrafa, copos plásticos, por exemplo): 64;
• Depósitos fixos (calhas, prato de planta): 18;
• Pneus e materiais rodantes: 113;
• Lixo: 219;
• Bromélias e outros depósitos naturais: 23;
Locais onde os focos foram encontrados
• Comércio: 475;
• Igrejas, escolas, quartéis, prefeituras e órgãos governamentais, entre outros estabelecimentos: 94;
• Pontos estratégicos: 308;
• Residência com armadilha: 434;
• Residência sem armadilhas: 220;
• Terreno baldio: 13.
A doença no estado
• Casos suspeitos: 446 (todos são importados de outros locais do país).
• Confirmados: 148.
• Do total de casos suspeitos, 251 foram em homens, dos quais 74 foram confirmados.
• Do total de casos suspeitos, 195 foram em mulheres, dos quais 74 foram confirmados.
Procedência dos casos registrados em Santa Catarina
• Mato Grosso do Sul: 8; • Minas Gerais: 8; • Rondônia: 7; • Bahia: 6; • Goiás: 5; • Paraguai: 4; • São Paulo: 28; • Mato Grosso: 26; • Pará: 2; • Rio de Janeiro: 18; • Paraná: 14; • Acre: 1; • Amapá: 1; • Espírito Santo: 1; • Goiana: 1; • Rio Grande do Sul: 1; • Sergipe: 1; • Indeterminado: 13.
Fonte: Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) do estado/20ª Gerência de Saúde (Gersa) em Tubarão.
