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A difícil tarefa de reciclar

Eduardo Zabot
Tubarão

 
É raro quem pare para prestar atenção na quantidade de lixo que gera. Em média, cada pessoa produz 1,5 quilo por dia. E quem sofre com isso é o meio ambiente. Por isso que reciclar é tão importante, pois transforma materiais usados em novos produtos para o consumo. 
 
Foi na década de 1980 que a produção de embalagens e produtos descartáveis aumentou significativamente, assim como a produção de lixo, principalmente nos países desenvolvidos. E foi assim que os empresários da fábrica de vassouras Goulart, em Tubarão, começaram a utilizar materiais que muitos jogavam fora.
 
“A reciclagem começou há 25 anos. Depois, começamos a utilizar sacolas, garrafas pet, e aumentamos a diversidade dos nossos produtos”, lembra Etevaldo Goulart, diretor de produção da fábrica de vassouras. Por mês, mais de dez toneladas de lixo reciclado são compradas de empresas e catadores. São 21 funcionários  e quatro máquinas especiais que produzem os materiais, como o plástico para o cabo e o naylon para a vassoura, além de pá, rodo e outros utensílios.
 
Uma das grandes reclamações dos pequenos e médios empresários é que não há incentivo por parte dos governos estadual e federal para quem realiza esse tipo de trabalho. Estimular uma maior produção resulta em geração de mais empregos e, consequentemente, em melhoria da qualidade de vida. 
 
Todo lixo que chega para reciclagem na fábrica Goulart é transformado em matéria prima
 
Cidadãos mais conscientes
A maior parte do lixo reciclável das cidades da Região Metropolitana de Tubarão é levada para a empresa Louber Ambiental, na comunidade de Taquaruçu, município de Pescaria Brava. No início dos trabalhos, em 2000, eram recicladas aproximadamente 180 toneladas por mês. “Hoje, nós não baixamos de 300 toneladas por mês e isso mostra que as pessoas estão mais conscientes”, avalia o proprietário da empresa, Itamar da Silva Matos.
No total, a Louber tem 91 funcionários, a maioria trabalha na separação do lixo. O trabalho é minucioso e requer muita atenção. “Só o papel tem sete tipos diferenciados, que é preciso separar. O plástico tem 14 tipos e todos são totalmente separados”, explica.
Porém, apesar da maior conscientização nos últimos anos, faltam incentivos para que a sociedade se interesse verdadeiramente pela reciclagem. Se você já aderiu a esta ideia, cultive, espalhe, estimule!
 
Lixo comum deve ser melhor embalado
Em Tubarão, o recolhimento do lixo orgânico é feito pela empresa Retrans, com o envolvimento de 35 funcionários. Todos os bairros são atendidos com a coleta, que funciona de segunda a sábado. O grande problema enfrentado pelos recolhedores é a quantidade maior de lixo do que comporta as sacolas. “Na verdade, as pessoas colocam todo o lixo em um saco só, e ainda depositam terra, mato. Tudo isso dificulta na hora de recolher”, orienta o encarregado da coleta, Charles de Campos Francisco.
 
Outra preocupação é em relação ao excesso de lixo – inclusive fora de sacolas – dentro das bombonas. O ideal seria colocar somente materiais embalados e furar o latão embaixo, para não acumular água da chuva. E também é importante avisar de alguma forma quando colocar objetos cortantes, como vidro, cerâmica e metais pesados. “Quando colocar esse tipo de lixo, é importante escrever na sacola ou na caixa que tem vidro quebrado. Assim, o recolhedor não tem perigo de se machucar”, pede Charles.
 
Diariamente, os recolhedores enfrentam dificuldades na hora da coleta do lixo
 
Você pode fazer mais!
1. Separe o lixo seco e úmido. Para facilitar o processo, não é necessário separar o lixo em papel, plástico, vidro, alumínio, não-recicláveis e orgânicos.
2. Não esqueça de passar água nos materiais recicláveis para retirar resíduos, evitar contaminação e odor forte. 
3. Na hora de descartar, armazene os materiais adequadamente para economizar espaço e facilitar o transporte.
4. Inclua na lista de compras alguns produtos responsáveis. Trocar um detergente normal por um sustentável já é uma conquista para o ambiente.
5. Descarte pilhas, baterias, aparelhos eletrônicos e lâmpadas em lugares específicos. Quando jogados no lixo comum, eles demoram muito tempo para se decompor e liberam elementos tóxicos que contaminam os solos. 
6. Cuidado ao descartar o óleo de cozinha. Se escorre pelo ralo, impossibilita o tratamento da água que vai para o esgoto. Armazene em garrafas pet e leve a locais que fazem o recolhimento. 
7. Isopor, adesivos, guardanapos, papel higiênico e plásticos laminados devem ser separados dos orgânicos.
8. Não sabe para onde levar o lixo reciclável? Informe-se na prefeitura de sua cidade se o seu bairro e município possuem coleta seletiva. Outra opção é doar diretamente para cooperativas.
9. Além de separar o material orgânico, você pode montar uma composteira, que transforma o lixo em adubo para plantas em poucas semanas. Se mora em apartamento, é só adaptar o tamanho.
 
Lixo hospitalar tem destinação regulamentada por lei
A Norma 307 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta o correto procedimento que deve ser realizado com relação aos lixos hospitalares. Todo o material especificado como lixo hospitalar deve ser devidamente condicionado em embalagens específicas para a sua destinação correta, com as classificações específicas. São resíduos especiais o lixo que abrange os materiais farmacêuticos, químicos e radioativos. 
Os resíduos comuns ou gerais são oriundos de áreas administrativas, como sucatas, embalagens reaproveitáveis, resíduos alimentares, etc. Já os infecciosos compreendem os materiais que contenham sangue humano, materiais que perfuram e cortam, resíduos de diagnósticos, biópsias e amputações, resíduos de tratamentos como sondas, drenos e gazes, material patológico, dentre outros.
 
Tubarão quer ampliar a coleta seletiva
A coleta seletiva nas escolas municipais e a educação ambiental são projetos futuros que a prefeitura de Tubarão quer implantar ainda este ano. De acordo com o presidente da Fundação do Meio Ambiente, Guilherme Nunes Bressan, além desse projeto, a ideia é ampliar a rota de coleta. “Iniciar um trabalho nas escolas vai automaticamente ampliar a necessidade de coleta. Por isso, queremos aumentar a abrangência da coleta seletiva”, revela.
 
A prefeitura já integra o consórcio de resíduos sólidos, que tem um planejamento amparado em lei pelo governo federal. “Esse tipo de consórcio vai dinamizar todo tipo de coleta, principalmente a seletiva. O consórcio discute a forma, a abrangência e o destino dos lixos”, destaca Guilherme.
 
Para o presidente da fundação, o ideal é que haja o maior volume possível de lixo reciclado e também precisa uma conscientização para reciclar o lixo orgânico para produzir adubo.
 
Cooperativa de catadores é prioridade
Em Tubarão, a cooperativa de catadores está parada, sem atividades. A intenção da Fundação do Meio Ambiente é retomar os trabalhos o quanto antes, com destaque para a criação de um galpão estruturado. “Vamos buscar recursos para fazer um galpão e estruturar o local, para que os catadores possam trabalhar e ganhar seus recursos. O trabalho deles é fundamental para a cidade”, ressalta Guilherme Nunes Bressan.
 
A reciclagem contribui para a diminuição significativa da poluição do solo, da água e do ar. Muitas indústrias aderiram a esta prática como forma de reduzir os custos de produção. A natureza agradece!
 
 
 
 
 
 
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