
Tubarão
Uma das obras mais bonitas da BR-101 será, sem dúvida, a da nova ponte sobre o Canal de Laranjeiras, na comunidade de Cabeçuda, em Laguna. O trabalho, a ser desenvolvido pelo consórcio Camargo Corrêa/M. Martins/Construbase, dará outro visual para o trecho da rodovia, além de se transformar em mais um ponto turístico do sul.
A obra foi licitada por R$ 597.190.345,20 e a ponte terá 2.825 metros de comprimento, com quatro pistas e acostamentos nos dois sentidos. Os trabalhos devem iniciar assim que a Licença Ambiental de Operação for expedida ao consórcio.
Enquanto isso não ocorre, o grupo já começou a se instalar em Laguna, a contratar mão-de-obra e organizar toda a logística. Esta é a parte que mais chama a atenção. Para se ter uma ideia, um canteiro de 100 mil metros quadrados precisará ser construído para dar suporte aos trabalhadores e também fabricar algumas estruturas.
O local vai incluir alojamento para 800 pessoas, estação de tratamento de água e esgoto, área administrativa e de lazer, refeitório para 1,4 mil pessoas, cozinha, posto de combustíveis, estacionamento, oficina, usina de concreto e duas grandes pistas para rolamento da produção até um porto de 200 metros de largura, que será construído na beira da lagoa Santo Antônio dos Anjos.
Estes foram alguns dos detalhes técnicos apresentados pelo engenheiro Maury Morales, gerente de execução do consórcio, ao curso de arquitetura e urbanismo da Unisul, em Tubarão. A construção do canteiro, por exemplo, levará mais cinco para ser concluída. O investimento somente para esta etapa será de pelo menos R$ 50 milhões.
Uma obra ambientalmente correta
Como toda a obra será feita pela água, sem aterramento, como foi feito na atual passagem sobre Laranjeiras, os materiais serão levados por balsas até o ponto de construção.
Ao todo, o consórcio utilizará 30 balsas com aproximadamente 35 a 40 metros de comprimento e 12 metros de largura para transportar o material e os trabalhadores ao local da obra. Cada balsa suporta pesos entre 400 e 600 toneladas e será puxada por rebocadores. O problema é que estes veículos não navegam em águas tão rasas.
Como a lagoa é rasa demais, o consórcio fará a dragagem. Segundo o engenheiro, a lagoa é muito rasa (média de um metro de profundidade em vários pontos) e a solução é fazer uma dragagem de seis quilômetros, com largura de 80 a 140 metros, para a retirada de seis mil metros cúbicos de areia.
Para isso, também é preciso uma licença da marinha e um acordo com uma empresa da região que explora cascalho neste caminho que será construído. A areia do fundo da lagoa é analisada para que o descarte seja feito corretamente.
Os órgãos responsáveis pelas licenças ambientais ainda estudam se há alguma espécie de peixe ou outro animal em extinção na área. Caso isso seja constatado, mudanças quanto à execução dos trabalhos serão feitas. A existência de sítios arqueológico também são uma preocupação do consórcio.
Também haverá vagas para estagiários
Além do cadastramento de mão-de-obra junto ao Sistema Nacional de Empregos (Sine) de Laguna, o consórcio Camargo Corrêa/M. Martins/Construbase, responsável pela construção da nova ponte em Cabeçuda, abrirá um setor de recursos humanos para a seleção de pessoal especializado, como engenheiros.
“Temos 15 profissionais, cada um em uma área, e eles vão precisar de assistentes e pessoas de apoio. Além disso, tem o setor administrativo. É uma obra completa, uma grande oportunidade de aprendizado para pessoas de vários setores”, estimula o engenheiro Maury Morales, gerente de execução do grupo.
Há vagas para mulheres e também para pessoas com deficiência física (pelo menos 5% do total de vagas que serão disponibilizadas). O cadastro deve ser feito no Sine. Mais informações: 3644-1122.
Como será feita a obra?
♦Os trabalhos de construção da nova ponte sobre o canal de Laranjeiras, na comunidade de Cabeluda, em Laguna, durarão pelo menos quatro anos.
♦O projeto será dividido em quatro etapas. Primeiro, será feita a fundação no solo, cinco metros dentro do solo da lagoa.
♦Cada uma terá duas estacas de dois metros e meio de diâmetro, que serão fixadas com martelos de vibração. Esta opção não afeta a vida marinha.
♦Em seguida, será feita a construção dos pilares de concreto. A terceira fase será a colocação dos mastros, com 50 metros de altura em relação ao pavimento da ponte.
♦Por último, a obra entra em fase de acabamento, quando são colocadas as proteções laterais, pavimentação e pintura de faixas. O vão da ponte terá 15 metros de altura.
♦ Este espaço é suficiente para os barcos pequenos e para o trem, que vai passar entre os pilares em uma das pontas da obra. A estrutura é firme para evitar quebras em casos de acidentes sobre a ponte, além de ter proteção contra a corrosão.