Início Geral Acadêmico de medicina volta às aulas

Acadêmico de medicina volta às aulas

No 9º semestre de medicina da Unisul, Luiz Arthur Resener de Moraes (no centro, de preto) comemora ao lado dos amigos a volta à rotina.
No 9º semestre de medicina da Unisul, Luiz Arthur Resener de Moraes (no centro, de preto) comemora ao lado dos amigos a volta à rotina.

Lily Farias
Tubarão

Recuperado da tragédia em Santa Maria (RS), o acadêmico de medicina da Unisul Luiz Arthur Resener de Moraes, 25 anos, está de volta a Tubarão para dar continuidade à rotina de estudos. Ele chegou na quarta-feira, dois dias depois de começarem as aulas. Estudante do 9º semestre, voltou com o astral renovado e cheio de energia.

Quem vê Luiz não faz ideia dos dias difíceis que enfrentou enquanto ficou internado no Hospital Universitário de Santa Maria. Hoje, traz um sorriso sincero no rosto, depois de ter ficado apagado durante um tempo. O futuro médico ficou 15 dias internado na UTI, em coma induzido.
Assim que acordou e pôde ter contato com a família, sentiu a emoção de poder beijar todos que amava. “Cheguei em um ponto em que tive que pedir para as pessoas não me visitarem mais, porque eu chorava muito e isso me desgastava fisicamente”, lembra.

Por ter um histórico de médicos na família, Luiz pôde terminar o tratamento em casa. A mãe, diretora geral do hospital onde ficou internado, Elaine Verena Resener, cuidava dele. “Eu só não podia ter contato com as pessoas, mas o fato de saber que não estaria mais em um ambiente hospitalar ajudou bastante”, relata.

De futuro médico a paciente

O conhecimento que absorveu ao longo do curso de medicina ajudou muito Luiz Arthur Resener de Moraes a se manter vivo diante do desespero de tantas pessoas ao seu redor dentro da boate Kiss. Um dos aprendizados foi conseguir agir em grandes catástrofes, como ocorreu na noite do dia 26 de janeiro.
Ele disse que manteve a calma a todo instante. Assim como as demais vítimas, Luiz também inalou muita fumaça. Logo que saiu do local, começou a sentir falta de ar e perceber que as suas vias respiratórias começaram a fechar. Um amigo o levou ao hospital.

Neste momento, ele começou uma verdadeira batalha por sua vida. Sabia que a quantidade de oxigênio no pulmão diminuía e tinha que continuar a respirar a todo custo. Somente quando chegou no hospital, onde seu pai estava de plantão, é que relaxou. “Não demorou muito para me colocarem em coma, mas quando acordei eu pedia para olhar meu prontuário todos os dias. Observava os números nos aparelhos e sabia que meu estado já era estável”, relata.
Apesar de ter consciência de toda a situação, Luiz afirma que em nenhum momento sentiu medo de morrer. Mas admite que os dias em que ficou internado foi determinante para entender ainda mais a situação dos pacientes. “Aprendi a ter mais empatia com eles. Uma coisa é você imaginar o que eles sentem, outra coisa é sentir na pele”, expõe.

Vinte quatro pessoas seguem internadas

Há pouco mais de um mês, o Brasil sentia a dor de famílias gaúchas na tragédia que ocorreu em Santa Maria. Um incêndio na Boate Kiss tirou a vida de 239 jovens. O número de internados ultrapassou 140. Até agora, 24 pessoas seguem internadas em hospitais do Rio Grande do Sul – 20 em Porto Alegre e quatro em Santa Maria. De acordo com o Ministério da Saúde, três estão em estado crítico e respiram com ventilação mecânica.
Os primeiros laudos oficiais do Instituto-geral de Perícias (IGP) sobre a morte de duas vítimas do incêndio da boate Kiss, já analisados pela justiça, revelam que a causa dos óbitos foi inalação de gases tóxicos: monóxido de carbono e cianeto.

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