O acidente de Oliver Bearman no GP do Japão de Fórmula 1, neste domingo (29), reacendeu críticas de pilotos ao novo regulamento técnico da categoria. O episódio ocorreu no circuito de Suzuka e levantou preocupações sobre a segurança devido às bruscas variações de velocidade causadas pelo sistema de recuperação de energia.
Bearman bateu na volta 22 após uma desaceleração repentina do carro de Franco Colapinto à sua frente. A diferença de velocidade entre os dois chegou a quase 100 km/h, segundo dados da própria F1. O britânico sofreu impacto de 50G, mas não teve fraturas e foi liberado após exames médicos.
Pilotos criticam sistema e cobram mudanças
Após o acidente de Bearman na F1 Japão, nomes como Max Verstappen, Carlos Sainz e Lando Norris voltaram a questionar o atual modelo híbrido previsto para a nova geração de carros.
Sainz, que também atua na Associação de Pilotos, afirmou que a categoria já havia sido alertada sobre os riscos:
“Temos sido muito claros ao afirmar que o problema não é apenas a classificação, mas também a corrida. Esses acidentes vão acontecer com frequência se nada mudar”, disse.
O piloto destacou ainda que circuitos urbanos, como Baku e Singapura, podem aumentar o risco pela falta de áreas de escape.
Verstappen também criticou o chamado “superclipping”, fenômeno em que o carro perde potência subitamente durante a recarga de energia:
“Um carro fica praticamente sem potência enquanto outro está acelerando normalmente. Isso gera diferenças de velocidade perigosas e pode resultar em acidentes graves”, afirmou.
Entenda o problema do “superclipping”
O acidente de Bearman na F1 Japão expôs um efeito colateral do novo sistema híbrido. Com maior dependência da recuperação de energia, os carros alternam entre momentos de alta potência e fases de recarga.
Durante essa recarga, o carro passa a operar apenas com o motor a combustão, reduzindo drasticamente sua velocidade mesmo em trechos de aceleração. Esse comportamento gera diferenças bruscas entre pilotos na pista.
Colapinto, envolvido no incidente, explicou a situação:
“É como se um piloto estivesse em volta rápida e outro em volta de aquecimento. A diferença de velocidade é muito grande e, em alguns momentos, perigosa.”
Reação da FIA e próximos passos
A Federação Internacional do Automobilismo (FIA) já havia indicado que discutiria ajustes no regulamento após etapas recentes. Após o acidente, a entidade reforçou que novas reuniões estão previstas nas próximas semanas.
Por ora, a FIA considera prematuro falar em mudanças imediatas, mas a pressão dos pilotos aumentou após o episódio em Suzuka.
Atual campeão, Lando Norris ironizou a situação ao comentar que o entretenimento parece pesar mais nas decisões:
“Contanto que os fãs continuem gostando, isso é tudo que importa”, declarou.
Estado de saúde de Bearman
Apesar da violência do impacto, Bearman não sofreu fraturas. O piloto da Haas teve apenas uma contusão no joelho direito e conseguiu deixar o carro com ajuda.
Ele também comentou sobre o acidente:
“Alertamos sobre esse tipo de situação. É uma diferença de velocidade que nunca vimos antes na F1.”
