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Petróleo se aproxima de US$ 115 e dispara no mês com tensão no Oriente Médio

Foto: Roberto Rosa/Agência Petrobras

O petróleo a US$ 115 voltou ao centro das atenções nesta segunda-feira (30), impulsionado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. A cotação subiu mais de 2% no dia e caminha para fechar março com alta de 59%, a maior valorização mensal desde 1990.

O movimento reflete o temor de investidores sobre possíveis interrupções no fornecimento global de energia, especialmente após ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás.

No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que o abastecimento de diesel está garantido até o fim de abril.

Preços do petróleo disparam com risco geopolítico

O barril do petróleo Brent, referência global, chegou a US$ 116,5 nas primeiras negociações do dia. Por volta das 9h10, era negociado a US$ 114,90, com alta de 2,07%.

Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subia 1,68%, cotado a US$ 101,31.

A escalada ocorre em meio à incerteza sobre o conflito no Oriente Médio, que pode impactar diretamente a oferta global de energia.

Estreito de Ormuz preocupa mercado global

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural liquefeito do mundo, tornou-se o principal foco de preocupação.

Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionando o Irã a reabrir a passagem aumentaram a tensão. O país asiático, por sua vez, reforçou presença militar e acusou os EUA de prepararem uma possível ofensiva.

Analistas alertam que, caso o bloqueio persista, o petróleo pode chegar a US$ 150 por barril nas próximas semanas.

Energia mais cara pressiona inflação global

A alta do petróleo já provoca efeitos em cadeia na economia global.

Produtos como gás natural, fertilizantes, plásticos e alumínio registraram aumento. Combustíveis para transporte aéreo e marítimo também ficaram mais caros.

Esse encarecimento tende a elevar custos de produção e transporte, impactando preços de alimentos, medicamentos e produtos industriais.

Mercados reagem com volatilidade

Os reflexos da crise foram sentidos nos mercados financeiros.

Na Ásia, bolsas fecharam em queda, com destaque para Tóquio, onde o índice Nikkei recuou 2,8%. A região é uma das mais dependentes do petróleo do Golfo.

Na Europa, houve recuperação parcial, com alta próxima de 0,6%. Já os futuros dos principais índices dos Estados Unidos apontavam leve alta após quedas recentes.

Juros, dólar e economia no radar

A disparada do petróleo aumenta as preocupações com a inflação global, o que pode levar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo.

Nos Estados Unidos, investidores aguardam declarações de dirigentes do Federal Reserve, além de indicadores econômicos ao longo da semana.

O dólar, considerado ativo seguro, operava próximo da máxima em dez meses, refletindo a busca por proteção em meio à instabilidade.

Impacto maior na Ásia

Economias asiáticas são as mais expostas à crise energética devido à forte dependência de importações do Golfo.

O índice MSCI Ásia-Pacífico (excluindo Japão) caiu 1,8%, refletindo a preocupação com o aumento dos custos de energia e possível desaceleração econômica.

Especialistas apontam que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode reduzir estoques globais e forçar restrições no consumo industrial.

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