
Eduardo Zabot
Laguna
A partir de hoje, os bancos de Laguna, Imbituba e Imaruí ficarão fechados por tempo indeterminado. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários em Laguna, Luiz Francisco Cardoso, a adesão é de 100% dos funcionários. “Nós temos, nos três municípios, aproximadamente 100 bancários, e todos estão em greve”, afirma.
Os banqueiros oferecem 6,1% de aumento, enquanto a classe quer 11,07%. Além disso, os funcionários reivindicam o fim das metas abusivas, que são obrigados a cumprir. “Somente neste ano, em uma agência bancária de Tubarão, foram seis demissões, motivo que requer atenção. As metas abusivas são os maiores problemas que temos atualmente. Os bancos cobram muito dos colaboradores. Quando o empregado cumpre uma meta surge outra impossível de realizar”, explica o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região (SEEBTR), Armando Machado Filho.
O lucro obtido pelos bancos também é um fator que deixa os funcionários revoltados com os baixos salários. “Não é possível que uma agência como Banco do Brasil tenha um lucro de R$ 10 bilhões, ou o Itaú com lucro de R$ 7 bilhões, continue com os bancários sofrendo pressão e com salários baixos”, reclama Luiz Francisco. Em Tubarão, os bancários se reúnem na próxima segunda-feira, às 18h30min, em assembleia na sede do sindicato para definir pela greve.
Na região, 16 municípios que integram o SEEBTR devem participar do movimento. No total, deverão ser 40 agências e pontos de atendimentos fechados. Armando estima que cerca de 600 bancários deverão aderir ao protesto. Entre os bancos que podem deliberar greve estão: HSBC, Itaú, Bradesco, Santander, Banrisul, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Balanço da greve no ano passado
No ano passado foram dez dias de paralisação na região. A greve foi histórica, cerca de 600 trabalhadores aderiram ao movimento. A situação só normalizou quando os trabalhadores aceitaram a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O órgão elevou a pedida dos bancários para 7,5%, o que representou um aumento real de 2%. A proposta também visou aumento de 8,5% no piso salarial e no valor dos auxílios-refeição e alimentação e uma alta de 10% na parcela fixa da participação nos lucros e resultados. A resolução foi considerada uma conquista para a categoria.
Greve dos Correios ganha adesão
Na audiência de conciliação, os Correios manteve a mesma proposta apresentada aos trabalhadores na quinta-feira da semana passada: reajuste de 8% nos salários e 6,27% para os vales-refeição, alimentação, auxílio-creche/babá e auxílio para dependentes de cuidados especiais, além do crédito extra de 23 vales a serem pagos em dezembro (para admitidos até 31 de julho), que totaliza R$ 650,65, e vale-cultura de R$ 50,00. Os funcionários pedem 47,8% de aumento, sendo 7,13% referente à inflação, 15% de aumento real no salário e 20% de reposição das perdas, o que significa R$ 200,00 a mais no salário. Em Tubarão, 13 funcionários estão em greve.
Todas as 28 bases sindicais filiadas à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) participam do movimento: Minas Gerais; Amazonas; Mato Grosso; Santa Catarina; Pará; Sergipe; Santos; Piauí; Bahia; Espírito Santo; Ceará; Brasília; Maranhão; Paraná; Rio Grande do Sul; Paraíba; Pernambuco; Vale do Paraíba; São José do Rio Preto; Alagoas; Goiás; Campinas; Uberaba e região; Roraima; Santa Maria; Juiz de Fora; Mato Grosso do Sul e Ribeirão Preto. Além destes estados participa da greve também o Tocantins, que não está filiado à Fentect, mas aderiu ao movimento nacional e à greve chamada pela Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios.