O advogado de Daniel Vorcaro procurou a Polícia Federal (PF) para informar o interesse do empresário em firmar um acordo de delação premiada. A informação foi obtida pela TV Globo nesta quarta-feira (18), em meio às investigações sobre fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
Segundo relatos, o defensor José Luís Oliveira Lima também teria indicado que Vorcaro não pretende poupar envolvidos em eventual colaboração com a Justiça.
Defesa sinaliza interesse em colaboração
A iniciativa de procurar a PF teria sido uma forma de sinalizar a disposição de Daniel Vorcaro em colaborar com as investigações. Ele é alvo de inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura um suposto esquema bilionário de fraudes.
Procurado, o advogado afirmou que não comentará o caso neste momento, citando a “sensibilidade” da investigação.
Conhecido como Juca, o defensor tem experiência em acordos de colaboração premiada em casos de grande repercussão nacional, como na Operação Lava Jato.
Uma eventual delação pode trazer novos elementos para o avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal.
STF prorroga investigação por 60 dias
Também nesta quarta-feira (18), o ministro André Mendonça, do STF, determinou a prorrogação do inquérito por mais 60 dias.
A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, que argumentou ser necessário mais tempo para realizar diligências consideradas essenciais para esclarecer os fatos.
De acordo com investigadores, ainda há grande volume de material apreendido a ser analisado, incluindo documentos, computadores e celulares.
Operação apura fraudes bilionárias
As investigações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Segundo a PF, o grupo investigado é suspeito de fabricar carteiras de crédito falsas e desviar recursos para patrimônio pessoal. Os prejuízos podem ultrapassar R$ 12 bilhões.
Ao longo das fases da operação, foram apreendidos mais de 100 celulares, incluindo aparelhos ligados a Vorcaro, além de documentos e valores em espécie.
Na fase mais recente, a investigação apontou a existência de um grupo que atuaria para monitorar e intimidar adversários e jornalistas.
Além disso, servidores do Banco Central teriam sido investigados por supostamente repassar informações privilegiadas em troca de vantagens indevidas.
Bloqueios e possíveis crimes
A Justiça já determinou o bloqueio de bilhões de reais em bens e valores ligados aos investigados. Em decisões mais recentes, o montante pode chegar a R$ 22 bilhões.
Os envolvidos podem responder por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e obstrução de Justiça.
