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Enquanto visitantes buscam o frio e a paisagem gelada, moradores mantêm uma rotina de trabalho, tradição e resistência que poucos conhecem.
O inverno na Serra Catarinense tem dois lados. Um é amplamente fotografado, compartilhado e admirado: a geada cobrindo os campos ao amanhecer, o vinho servido à beira da lareira e a fumaça saindo das chaminés de madeira. O outro raramente aparece nas redes sociais, mas é justamente ele que torna possível toda essa experiência oferecida aos visitantes.
Em cidades como São Joaquim, Urubici e Bom Jardim da Serra, o inverno não começa com a chegada dos turistas. Ele se inicia muito antes, nas madrugadas geladas em que agricultores verificam estufas, planejam a poda dos pomares de maçã e organizam a próxima safra. A paisagem que encanta quem visita a região é resultado de um trabalho diário que acontece longe das câmeras.
A rotina de quem faz a serra acontecer
Para os produtores rurais, o inverno é uma estação de planejamento e adaptação. Embora os pomares de maçã entrem em dormência, o trabalho continua com a poda, o preparo do solo e os cuidados necessários para garantir a próxima colheita.
Pequenos agricultores que cultivam hortaliças, flores e outras culturas enfrentam desafios diários para manter a produção diante das baixas temperaturas. Muitos recorrem a estufas ou adaptam o calendário agrícola para reduzir os impactos do frio intenso.
É uma realidade marcada por planejamento, conhecimento acumulado ao longo de gerações e capacidade de adaptação às condições climáticas da região.
O frio faz parte da vida
Para quem mora na Serra Catarinense, temperaturas negativas fazem parte da rotina.
Casas são preparadas para enfrentar o inverno com fogões a lenha, isolamento térmico, janelas reforçadas e muitos cobertores. As escolas adaptam horários quando necessário, os serviços de saúde reforçam o atendimento às pessoas mais vulneráveis e a própria comunidade desenvolve uma rede de apoio baseada na convivência e na solidariedade.
O frio, para os moradores, não representa apenas um atrativo turístico. É um elemento que influencia o cotidiano, o trabalho e a forma de viver.
Tradições preservadas longe dos roteiros turísticos
Durante os finais de semana da temporada, hotéis, pousadas e restaurantes recebem visitantes de diferentes regiões do país.
Nos dias de menor movimento, porém, a vida segue em outro ritmo.
Mercados de bairro, cafeterias, feiras comunitárias e pequenos estabelecimentos continuam sendo os espaços onde moradores se encontram e mantêm vivas tradições passadas de geração em geração.
A produção artesanal de queijos, vinhos, embutidos, doces e ervas medicinais permanece como parte da identidade serrana, assim como o modo de receber quem chega com hospitalidade e simplicidade.
Muito além das paisagens de inverno
Quem visita a Serra Catarinense costuma levar na memória a imagem da geada, das montanhas e das cabanas aquecidas.
Mas existe uma história que continua sendo escrita todos os dias, mesmo quando não há turistas.
É o trabalho silencioso de agricultores, comerciantes, empreendedores, professores, profissionais da saúde e tantas outras pessoas que mantêm as cidades em funcionamento durante todo o ano.
São eles que garantem que o visitante encontre o pinhão colhido, o vinho pronto para a degustação, as trilhas preservadas e o café servido com o cuidado característico da hospitalidade serrana.
Mais do que um cenário de inverno, a Serra Catarinense é um território de pessoas que transformaram o frio em parte de sua identidade e construíram, ao longo do tempo, uma cultura marcada pela resiliência, pelo trabalho e pelo acolhimento

Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.