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Alguns pais estão inseguros

Em Tubarão 1.232 meninas, na faixa etária de 9 a 11 anos, devem ser vacinadas com a segunda dose  -  Foto:Divulgação/Notisul
Em Tubarão 1.232 meninas, na faixa etária de 9 a 11 anos, devem ser vacinadas com a segunda dose - Foto:Divulgação/Notisul

Letícia Matos
Tubarão

A queda na imunização contra o Papiloma Vírus Humano (HPV) no Brasil – que passou de 101% da meta em março de 2014 para 50% em 2015 – preocupa o Ministério Saúde, que tenta reverter a imagem negativa que a vacina adquiriu após a divulgação de eventos adversos durante a vacinação. 

Em Tubarão, por exemplo, em 2014 a primeira dose imunizou 1.977 (101,13%) meninas e 1.641 (82,5%) na segunda dose. Já neste ano a primeira dose beneficiou 1.232 (47%), das 2.610 meninas, na faixa etária de 9 a 11 anos, que devem ser vacinadas. 

De acordo com a coordenadora de imunização, Juliana Nunes Cardoso, as doses serão disponibilizadas em todas as escolas de Tubarão. “A criança deverá ser autorizada para a aplicação. Caso o responsável não queira que a dose seja aplicada na unidade escolar, os postos de saúde com sala de vacina estarão atendendo”, esclarece Juliana.

Porém muitos pais não querem que as filhas recebam a vacina. Thiago de Souza tem uma filha de 9 anos e não deixou que ela se vacinasse na campanha da primeira dose. “Ficamos inseguros quando divulgaram que algumas meninas tiveram reação no ano passado. Também acho muito cedo ter que falar sobre esse assunto com ela. Mas ano que vem acredito que vamos fazer”, explica.

“Essa vacina tem como objetivo diminuir a possibilidade de não contrair o câncer de colo de útero. O que observamos ao longo do tempo é o aumento do número de casos de câncer em jovens, e por isso, devemos intensificar as ações em prevenção. Os pais devem aproveitar a oportunidade de prevenir uma doença, que em muitas situações é letal”, destaca a diretora-presidente da fundação de saúde, Tanara Cidade de Souza.

Vacinação nas escolas
Por causa dessa repercussão, os representantes das escolas têm receio que a criança tenha alguma complicação e que a instituição seja responsabilizada. “A vacina é segura e as reações não estão ligadas à vacina e são raras. Em 2014 foram mais de 150 mil crianças vacinadas em Santa Catarina e nenhuma teve evento adverso grave”, enfatiza Vanessa Vieira da Silva, gerente de vigilância das doenças imunopreviníveis e imunização do estado de Santa Catarina.

Eventos são raros
O evento adverso registrado no país que se tornou mais conhecido ocorreu em São Paulo, no município de Bertioga, onde 13 meninas se sentiram mal após tomarem a segunda dose da vacina em setembro de 2014. Três delas tiveram que ser internadas. Os sintomas eram de tontura, dor de cabeça e fraqueza nas pernas, classificados como uma reação de ansiedade e relacionados ao medo que muitos adolescentes têm de tomar qualquer injeção. Esses eventos são raros e não estão ligados especificamente à vacina do HPV, conforme os representantes do Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) e outras organizações como a Organização Mundial de Saúde (OMS). Reações de fundo psicológico são detectadas em diversas campanhas de vacinação. Foram relatados casos na Colômbia, em 2014, e Austrália, em 2007, onde 3,6% das meninas vacinadas apresentaram reações de ansiedade. O país australiano tem os melhores resultados de eficácia da imunização com a mesma vacina usada no Brasil.

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