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Servidores do IML são afastados após troca de corpos levar famílias a enterrarem pessoas erradas em SC

Dois servidores do Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis foram afastados por 60 dias após a troca de corpos de três homens provocar o sepultamento equivocado de duas vítimas em Santa Catarina. A informação foi confirmada pela Polícia Científica nesta segunda-feira (11), que instaurou procedimento interno para apurar o caso.

A confusão ocorreu após a liberação incorreta dos corpos no dia 10 de abril. As vítimas eram um jovem morto em acidente de moto e dois homens assassinados na Capital. Dois corpos foram enterrados pelas famílias erradas, enquanto o terceiro permaneceu retido no IML sem a devida liberação.

Segundo a Polícia Científica, o afastamento cautelar dos servidores busca garantir a condução adequada das investigações conduzidas pela Corregedoria.

Polícia Científica apura responsabilidades

De acordo com nota oficial, o procedimento administrativo foi aberto em 11 de abril, um dia após os sepultamentos indevidos. O objetivo é identificar responsabilidades e possíveis falhas operacionais na custódia e liberação dos corpos.

O órgão informou que a investigação segue “com total transparência e responsabilidade institucional”.

A Polícia Científica também negou a acusação feita por uma agente funerária de que servidores teriam sugerido manter os corpos trocados para evitar que o erro fosse descoberto.

Agente funerária relata sugestão para esconder erro

A agente funerária Aline Thaise Nunes Mikna afirmou à NSC TV que, após a descoberta da troca, servidores sugeriram lacrar os caixões e manter os velórios e sepultamentos normalmente.

“Assim, nenhum dos três casos seriam descobertos”, relatou.

Segundo ela, a proposta foi recusada pelas funerárias envolvidas. A Polícia Científica negou oficialmente que qualquer orientação nesse sentido tenha sido dada.

Como aconteceu a troca de corpos

Uma das vítimas era Juliano Henrique Guadagnin da Silva, de 24 anos, morto em um acidente de moto em Florianópolis no dia 9 de abril. Os outros dois homens, Patrick Nunes Ferreira e Denner Dario Colodina, foram vítimas de homicídio.

Conforme a investigação:

  • Patrick Nunes Ferreira foi sepultado no Cemitério do Itacorubi no lugar de Denner;
  • Denner Dario Colodina foi enterrado no Cemitério do Rio Vermelho, em local destinado a Juliano;
  • O corpo de Juliano permaneceu no IML sem ser entregue à família.

O erro só foi identificado quando familiares procuraram o IML para fazer reconhecimento.

A mãe de Juliano, Mônica Raquel Guadagnin, contou que recebeu uma ligação da funerária logo após o sepultamento do filho informando que havia “um problema com o IML”.

Relatório aponta divergência entre IML e funerária

Um relatório interno do plantão do IML responsabiliza o agente funerário pela retirada incorreta de um dos corpos.

Segundo o documento, os servidores teriam indicado corretamente a localização das vítimas, mas o profissional da funerária teria removido um corpo errado por engano.

A funerária contesta essa versão. A agente funerária envolvida afirmou que os documentos entregues estavam corretos, porém identificavam corpos trocados.

O advogado da empresa, Juliano Duarte Campos, disse que a responsabilidade pela conferência e entrega dos corpos é dos servidores públicos responsáveis pelo procedimento.

Após a descoberta do erro, os corpos sepultados foram exumados e encaminhados novamente ao IML. As famílias realizaram novos velórios e sepultamentos no dia 13 de abril.

Polícia Civil e Ministério Público investigam o caso

Além da apuração administrativa da Polícia Científica, a Polícia Civil também investiga o episódio.

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) abriu procedimento para analisar possíveis falhas estruturais e operacionais na unidade do IML de Florianópolis.

Entre os pontos investigados estão:

  • uso de caixões lacrados devido à alegada desfiguração dos corpos;
  • possíveis problemas estruturais;
  • alto volume de trabalho;
  • eventual insuficiência de servidores durante o plantão.

O MPSC informou que busca identificar falhas sistêmicas e propor melhorias nos mecanismos de controle e liberação de corpos para evitar novos casos semelhantes.

Nota oficial da Polícia Científica

Em nota, a Polícia Científica afirmou que o caso segue sob apuração da Corregedoria e confirmou o afastamento dos servidores diretamente envolvidos por 60 dias.

O órgão destacou que a medida cautelar visa preservar a investigação e assegurar a adequada condução do processo administrativo.

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