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Ansiedade e depressão crescem entre adolescentes: especialistas explicam causas e caminhos de prevenção

FOTOS Unimed Tubarão Divulgação Notisul

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A adolescência e o início da vida adulta são períodos decisivos para a formação da identidade, da autoestima e do senso de pertencimento. Ao mesmo tempo, têm sido marcados por um aumento expressivo dos casos de ansiedade e depressão entre adolescentes, fenômeno associado a fatores como redes sociais, pressões acadêmicas e expectativas familiares.

Para a psicóloga Larissa Bento, da Unimed Tubarão, essa fase é naturalmente mais sensível do ponto de vista emocional.
“Estamos lidando com uma etapa de maior vulnerabilidade ao sofrimento psíquico. Muitos padrões que observamos hoje na clínica com adultos tiveram início justamente nesse período do desenvolvimento”, explica.Ansiedade e depressão crescem entre adolescentes, alertam especialistas

Redes sociais e comparação constante

Segundo a especialista, a exposição contínua a padrões idealizados de sucesso, beleza e comportamento nas redes sociais favorece sentimentos de inadequação, rejeição e baixa autoestima. Esse cenário pode levar ao isolamento social e ao agravamento de sintomas ansiosos e depressivos.

Além do ambiente digital, os jovens enfrentam cobranças relacionadas ao desempenho escolar, à escolha profissional e às expectativas familiares. O acúmulo dessas demandas gera altos níveis de estresse, que podem se manifestar em crises de ansiedade e pânico.

Nesse contexto, a psicoterapia tem papel fundamental. “O acompanhamento psicológico ajuda o jovem a identificar gatilhos emocionais, manejar pensamentos negativos e desenvolver estratégias de autorregulação emocional, atuando também de forma preventiva”, destaca Larissa.

Aspectos biológicos e aumento dos diagnósticos

O psiquiatra André Luiz reforça que o crescimento dos diagnósticos de transtornos de ansiedade e humor entre adolescentes é uma realidade reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Esse aumento é multifatorial. Há um crescimento real, impulsionado por estressores ambientais e digitais, mas também uma maior identificação dos casos, já que a redução do estigma tem permitido que mais famílias busquem ajuda especializada”, afirma.

Do ponto de vista neurológico, ele explica que a adolescência é marcada por um desequilíbrio natural no desenvolvimento cerebral. “O sistema límbico, responsável pelas emoções, amadurece mais cedo, enquanto o córtex pré-frontal, ligado ao controle emocional e à tomada de decisões, só se completa na vida adulta. Isso torna o jovem mais suscetível a impulsividade e instabilidade emocional”, esclarece.

Família e escola como fatores de proteção

Ambos os especialistas ressaltam que família e escola exercem papel central na prevenção. Ambientes que oferecem escuta ativa, acolhimento, validação emocional e segurança contribuem para a redução dos riscos.

Hábitos saudáveis também fazem diferença, como rotina adequada de sono, equilíbrio no uso das redes sociais, prática regular de atividade física e fortalecimento de vínculos presenciais. “Buscar ajuda profissional não deve ser visto como fraqueza, mas como cuidado”, reforça Dr. André.

“Tratar um transtorno mental precisa ter o mesmo peso social e clínico que tratar uma condição ortopédica ou metabólica”, conclui o psiquiatra.

Janeiro Branco e a importância da prevenção

A reflexão ganha ainda mais força durante o Janeiro Branco, campanha que incentiva o cuidado com a saúde mental desde cedo. A mensagem é clara: falar sobre emoções, buscar apoio e criar redes de proteção são atitudes fundamentais para promover qualidade de vida e prevenir o adoecimento psíquico na juventude.

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