O bloqueio do Estreito de Hormuz, que já dura quase cinco semanas em meio ao conflito no Oriente Médio, provocou uma forte alta nos preços de fertilizantes e grãos no mercado global. A interrupção nas rotas comerciais tem afetado cadeias de suprimento essenciais, gerando preocupação com a segurança alimentar em diversas regiões.
O estreito é uma das principais vias de transporte marítimo de commodities agrícolas e insumos, e sua paralisação parcial tem impacto direto nos custos de produção e distribuição.
Fertilizantes disparam com crise logística
A ureia, um dos principais fertilizantes nitrogenados, registrou forte valorização. Os contratos futuros chegaram a cerca de US$ 690 por tonelada no fim de março, acumulando alta superior a 70% no ano.
Nos principais pontos de exportação, os preços já superam US$ 700 por tonelada. A escassez é agravada pelo fato de o Golfo do Oriente Médio concentrar cerca de 25% das exportações globais de fertilizantes nitrogenados por via marítima.
Outro fator de pressão é o aumento do gás natural, que representa até 80% do custo de produção desses insumos.
Grãos e óleo de soja também sobem
O impacto da crise também atinge os grãos. Desde o fim de fevereiro:
- o trigo subiu cerca de 15%
- o milho avançou aproximadamente 11%
Já o óleo de soja se aproxima do maior nível em três anos, impulsionado pela alta do petróleo e pela demanda por biocombustíveis.
O cenário afeta principalmente países do Oriente Médio que dependem de importações para até 90% do abastecimento de alimentos.
Açúcar e alimentos enfrentam gargalos
As dificuldades logísticas vão além dos grãos. O comércio global de açúcar também sofre impactos, já que a região do Golfo é um importante polo de refino e redistribuição.
Com rotas comprometidas, o açúcar refinado começa a ficar escasso em partes do Oriente Médio e da África. Ao mesmo tempo, o produto bruto se acumula em países exportadores, como o Brasil.
Portos estratégicos seguem com operação limitada, e alternativas logísticas oferecem apenas alívio parcial.
Incerteza sobre duração da crise
Apesar de sinais pontuais de flexibilização para cargas humanitárias e agrícolas, ainda não há clareza sobre a duração do bloqueio.
Autoridades internacionais indicam que os efeitos econômicos podem se intensificar caso a situação persista, especialmente com a aproximação de períodos de plantio em diversos países.
O cenário mantém o mercado em alerta, com reflexos diretos nos custos de produção agrícola e no preço final dos alimentos.
