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BR-101 sul

 

O Jornal Folha de São Paulo (3/04/11) levanta ocorrências na duplicação da BR-101 norte, que podem estar acontecendo no trecho sul, imperceptíveis, porque o foco está no apressar o final da obra, prometida para 2008 e agora, sem garantias, para 2014.
 
Segundo a reportagem de capa, a Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União “apontam fraudes na duplicação, orçada em R$ 2 bilhões e meio”. Num dos lotes, a Polícia Federal flagrou desvios de R$ 2 milhões, e seis pessoas foram presas, incluindo dois dirigentes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), após denúncias de fraude e pagamento de propina.
 
Em outro lote, perícia da própria PF constatou ausência ou número insuficiente de barras de aço na estrutura, o que pode reduzir a vida útil do trecho em 75%. Num terceiro trecho, Laudo da Operação Castelo de Areia (ação da Polícia Federal brasileira deflagrada em 2009, que investiga crimes financeiros e lavagem de dinheiro) aponta sobrepreço de R$ 45 milhões. Peritos também encontraram desníveis na superfície das pistas, aumentando o impacto dos carros no pavimento, o que também contribui para reduzir a durabilidade das vias.
 
Para o juiz federal Mário Azevedo Jambo, do Rio Grande do Norte, ainda segundo a reportagem, houve “nefasta promiscuidade entre servidores públicos que deveriam fiscalizar obras rodoviárias e representantes de empreiteiras”.
 
Não se está fazendo nem se pretende fazer qualquer denúncia, mas chamando atenção para descobertas feitas na obra de duplicação do trecho norte, que, se repetidas no sul, duplicaria o nosso prejuízo. O atraso da obra que ceifa vidas e atravanca o progresso e a dinheirama pública que se esvai na corrupção e na ausência de materiais necessários para a durabilidade da obra.
 
As vidas ceifadas são irrecuperáveis. Os investimentos que vão para outras regiões nos mantêm como a mais pobre do estado, mesmo com todas as riquezas que Deus nos deu. O dinheiro para corrupção prolonga o poder dos que estão nos sugando e a obra malfeita exigirá ainda mais dinheiro público para os remendos. Dinheiro este que poderia construir outras obras ou amenizar o caos na educação, na saúde ou na segurança.
 
Sugeri na reunião suprapartidária dos jovens que se triplicassem as frentes de trabalho: para que se cumpra ou se antecipe o novo cronograma estabelecido pelo Ministério dos Transportes para conclusão da obra; acione-se o Tribunal de Contas para que averigue possíveis desvios e a Polícia Federal, para que com seu “radar de penetração do solo”, verifique a existência dos materiais necessários para a qualidade da obra.
Torcemos para que não se encontrem desvios de materiais ou de dinheiro e mostremos, de forma inequívoca, que acabou (embora nunca devesse ter existido) a paciência com as tapeações e as trapaças.
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