FOTOS PML Divulgação Notisul
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Há cidades que contam histórias. Outras, por sua própria existência, são parte da história do país. Laguna, no litoral sul catarinense, pertence a esse segundo grupo. Em 2025, o Centro Histórico completou 40 anos de tombamento federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), reconhecimento que consolidou o município entre os mais importantes conjuntos urbanos preservados do Brasil.
Caminhar pelas ruas de pedra da cidade é percorrer mais de três séculos de memória. As fachadas de influência açoriana, os sobrados coloniais, as janelas de madeira, os casarões voltados para a Lagoa Santo Antônio dos Anjos e o traçado urbano preservado transformam Laguna em um dos mais expressivos testemunhos da formação histórica do Sul do país.
Reconhecimento nacional desde 1985
O tombamento federal ocorreu em 1985, quando o IPHAN inscreveu o Centro Histórico de Laguna em dois dos Livros do Tombo da instituição.
Em 25 de abril, o conjunto urbano passou a integrar o Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Já em 23 de dezembro, foi inscrito também no Livro do Tombo Histórico.
O reconhecimento colocou Laguna ao lado de cidades históricas que representam diferentes momentos da formação do Brasil, como Ouro Preto, Mariana, Olinda, Paraty, Diamantina e São Luís.
O conjunto urbano lagunense reúne aproximadamente 600 edificações históricas, preservando características arquitetônicas construídas entre os séculos XVIII e XIX. Além dos imóveis, o tombamento protege a relação entre a cidade, seu antigo porto, a lagoa e a paisagem natural que moldaram seu desenvolvimento econômico e cultural.
Um patrimônio vivo
Mais do que preservar construções antigas, o tombamento reconhece um espaço urbano que continua sendo utilizado pela população e que mantém viva a identidade da cidade.
A ocupação de origem açoriana, somada à importância comercial e portuária que Laguna exerceu ao longo da história, conferiu ao município características únicas no cenário nacional.
Em 1993, a criação da Fundação Lagunense de Cultura (FLC) fortaleceu as políticas de preservação do patrimônio, atuando em conjunto com o IPHAN, órgãos públicos e a comunidade na conservação e valorização do Centro Histórico.
Investimentos reforçam preservação
Nos últimos anos, o patrimônio histórico lagunense voltou a receber investimentos importantes.
Por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), o IPHAN destinou aproximadamente R$ 39 milhões para obras e projetos em Santa Catarina.
Em Laguna, um dos destaques é a restauração da antiga Subestação de Energia, que recebeu investimento de R$ 878 mil e será transformada na futura Casa do Artesanato, ampliando os espaços destinados à cultura e ao turismo.
Também em 2025, durante as comemorações dos 40 anos do tombamento, o presidente do IPHAN, Leandro Grass, visitou a cidade e participou do lançamento de um selo comemorativo em parceria com a Prefeitura de Laguna.
Memória construída por gerações
Para a chefe do Escritório Técnico do IPHAN em Laguna, a arquiteta Ana Paula Cittadin, o reconhecimento ultrapassa a preservação dos edifícios.
“O tombamento do Centro Histórico de Laguna representa o reconhecimento de um patrimônio que possui valor para todo o Brasil. Mais do que proteger edificações, ele preserva a memória, a identidade e a história construída ao longo de gerações. Esse patrimônio permanece vivo porque continua sendo vivido pelas pessoas, e sua preservação depende do compromisso compartilhado entre o poder público, as instituições e toda a comunidade.”
A fala resume o principal desafio da preservação patrimonial: manter o equilíbrio entre conservação, desenvolvimento urbano e uso cotidiano dos espaços históricos.

Um legado para as próximas gerações
Ao celebrar seus 350 anos de fundação, Laguna reafirma a importância de seu patrimônio histórico não apenas para Santa Catarina, mas para todo o Brasil.
O Centro Histórico permanece como um dos maiores símbolos da identidade lagunense, reunindo arquitetura, cultura, tradições e paisagens que atravessaram séculos praticamente preservadas.
Mais do que um conjunto de edificações antigas, trata-se de um patrimônio vivo, que continua sendo habitado, visitado e valorizado por moradores e turistas. Um legado construído ao longo de gerações e que carrega a responsabilidade de permanecer preservado para os próximos séculos.