
Karen Novochadlo
Tubarão
O etanol está longe dos R$ 1,60 do ano passado. Em alguns postos da região, o valor do litro já pulou de R$2,28 para R$2,32. O aumento de R$ 0,05 ocorreu na última semana, em plena safra da cana-de-açucar. O consumo ainda não normalizou e não deve voltar a ser como antes.
É possível que a gasolina também sofra um aumento, em virtude do reajuste do preço do álcool anidro. “Se o aumento for de R$ 0,03, as distribuidoras deverão absorver. Do contrário, serão obrigadas a repassar”, antecipa o delegado do Sindicato de Revendedores Varejistas de Combustíveis (Sindicomb) na região, Valdo Viana Filho.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou uma queda de 11,34% em maio e um recuo de 8,84% no mês passado. Mas são justamente estes meses que a produção do combustível estava no ápice, devido a safra de cana-de-açúcar.
Desde janeiro, conforme dados do IPCA, a gasolina aumentou 6,15%. A queda de preço registrada no mês passado não foi o suficiente. O combustível está caro quando comparado a dezembro, época em que o valor do litro já estava próximo dos R$ 2,00.
Alta no preço do etanol ameaça o combate à inflação
A alta nos valores do etanol nos últimos dias será mais um obstáculo que o governo terá de enfrentar no combate à inflação. Não há risco imediato de descontrole dos preços, mas o encarecimento do combustível exigirá cuidados adicionais para que a inflação termine o ano abaixo do teto da meta, que é 6,5%.
A grande dificuldade é saber se a alta do etanol persistirá ou se é um fenômeno momentâneo. Apesar de ser misturado à gasolina, o etanol não tem o mesmo peso que os demais combustíveis na formação dos preços. Em 2010, o motivo da alta era o desabastecimento do mercado. E isto poderá voltar a ocorrer a partir de outubro deste ano. Isto é por causa do período da entressafra da cana-de-açúcar, no começo de 2012.
Nos últimos dois anos, a produção de cana quase não cresceu, enquanto as vendas de carros foram ampliadas em 10% só no primeiro semestre deste ano. Neste retrospecto, os reajustes de preços nos combustíveis devem continuar em oscilação até, pelo menos, 2013.
Outro problema é a idade média dos canaviais, que aumentou. Com isso, a perda de produtividade é mais alta do que nos últimos anos. “Faltam investimentos no setor”, pontua Sindicato de Revendedores Varejistas de Combustíveis (Sindicomb) na região, Valdo Viana Filho.