Patricia Cotti e Arnaldo Mello
diretora de conteúdo da Academia de Varejo, e colaborador da Academia de Varejo
Comportamento do consumidor, parcerias, geolocalização, experiência, geração Millennial, omnichannel, Big Data… Se você faz parte do mundo varejista e está conectado às novas realidades do setor, esses assuntos fazem com que você quebre sua cabeça todos os dias atrás de formas para aplicá-los no seu negócio.
Mas, caso esta não seja a sua realidade, saiba que os termos citados acima são os assuntos que regem o mercado varejista na atualidade atualmente e estão presentes nas principais mesas de debates do setor. E como são muitos os temas, e todos têm a sua complexidade, as parcerias serão o assunto principal desse texto.
“Parceria” é um termo conhecido por grande parte da população até mesmo por ter um significado simples, de uso comum entre os jovens. Para o varejo, a palavra traz o desafio da colaboração em cadeia que, por mais complexa que seja, se apresenta extremamente vantajosa.
É clichê dizer que o cliente é o foco do varejista. Mas, chegamos a um ponto que não se conquista mais os consumidores apenas por meio de preços e, sim, por meio de estruturas e planejamentos envolvidos na operação para encantá-los e satisfazê-los. Com esse novo panorama no setor – com as inovações surgindo a cada segundo, tudo se tornando mais dinâmico e complexo e com a alta cobrança por experiência de compra -, as parcerias chegam num bom momento.
A sua aplicabilidade pode estar associada a diversos departamentos e processos dentro do varejo. Internamente, quando uma empresa soma a sua logística com outra para diminuir custos. Também há as que servem para agregar valor à experiência de consumo (por exemplo, a parceria entre empresas na busca por uma solução integrada para o cliente). Já outras, são utilizadas para alavancar uma das marcas, como é o caso de associações de imagens. Independente da forma de parceria adotada, o cuidado com a escolha do parceiro é fundamental: uma escolha errada pode manchar a marca da sua empresa.
Existem vários casos de parcerias pelo mundo, mas dois foram destaques na edição 2017 da NRF Retail’s Big Show, uma das maiores feiras varejista do mundo, realizada em janeiro deste ano, em Nova York. Ambos são de grandes redes de hotéis que se juntaram com outras marcas para ampliar a experiência dos clientes que estão hospedados em suas unidades.
Um deles é o “Virgin Hotels”, um dos muitos negócios de Richard Branson. A aposta dele foi uma parceria com a marca de roupas “GAP”, na qual o cliente compra roupas na loja, via site ou por telefone, e elas são entregues no hotel em que estiver hospedado. Ao invés de receber as peças em sacolas, ao chegar ao local, elas já estarão penduradas nos armários do quarto, prontas para o uso. A experiência de compra, aqui, fica muito mais ampliada e integrada, com duas empresas conversando entre si para um melhor atendimento ao consumidor.
O outro caso de sucesso é o da rede de hotéis “Choice” com o “Uber” e a “Starbucks”. A cadeia hoteleira percebeu que os seus hóspedes também são clientes destas duas empresas. Compartilhando informações entre si, as três companhias saem ganhando. E mais ainda quando perceberam que, devido ao acesso de informações de outras pessoas que não são seus consumidores, mas possuem o mesmo perfil de um deles, passaram a fazer campanhas de marketing mais assertivas e direcionadas.
Com a mudança do perfil do consumidor, as empresas precisam se adaptar a estes novos costumes e umas das formas que encontraram é juntando forças com outras organizações. Com esta estratégia, não só economizam com as campanhas de marketing, como também se tornam mais eficazes e caminham em prol de um mesmo objetivo: aumentar a experiência e, consequentemente, as vendas.