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Cor e raça são decisivos

Zahyra Mattar
Tubarão

Uma pesquisa feita pelo IBGE reforça o que entidades de defesa da comunidade negra no país alertam há muitos anos. As leis para punir atitudes racistas são eficazes, mas o preconceito por conta da raça e da cor são tão sutis que passam ‘batido’.

O levantamento aponta que mais da metade da população brasileira (63,7%) reconhece que a cor ou a raça exerce efeitos diferentes nas relações cotidianas. Segundo o resultado, o trabalho, citado por 71% dos entrevistados, é a situação cotidiana que mais sofre influência da cor e da raça.
Em seguida, aparecem as relações com a polícia/justiça (68,3%) e no convívio social (65%). “Estes números devem ser maiores, muitos têm vergonha de admitir. A cor da pele ainda fala mais alto do que o currículo, ainda é decisiva no mercado de trabalho. Um negro, por mais gabaritado que seja, ainda é preterido por alguém da raça caucasiana. É um ranço do passado”, concorda o professor Maurício da Silva, de Tubarão.

Ele lembra que há alguns anos os anúncios de emprego pediam boa aparência, o que agora é proibido. “O negro chegava e era dispensado porque teoricamente não era considerado dentro do padrão exigido. Absurdo”, dispara o professor.
A presidenta do Movimento Cultural de Conscientização Negra Tubaronense (Mocnetu), Alaíde Corrêia, também é enfática quanto ao tema. “A discriminação, hoje, ocorre de forma muito sutil, mas existe e em grande escala. A vaga existe, mas quando o negro, o índio, chega, dizem que a vaga já foi preenchida”, alerta.
O resultado do censo 2010 neste aspecto, mostra que a região é formada por maioria branca. Os negros somam pouco mais de 15 mil pessoas. “Muitos preferem dizer que são pardos ou morenos. O negro ainda nutre preconceito contra si próprio”, admite Alaíde.

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