
Karen Novochadlo
Tubarão
As indústrias catarinenses pagam mais caro pela energia elétrica consumida, do que em muitos outros estados brasileiros. A tarifa em Santa Catarina é 4% superior à média brasileira, que é de R$ 329,00. Estes números integram o estudo ‘Quanto custa a energia elétrica para a indústria no Brasil?’, realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjam).
A entidade fez um levantamento das tarifas praticadas por 64 distribuidoras nos 27 estados brasileiros. Quando comparada com a média de um conjunto de 27 países, também pesquisados, a tarifa catarinense é 59% mais cara e 143% maior em relação aos outros países que compõem a Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Ou seja: o preço da energia elétrica no Brasil não é competitivo quando comparado a outros países. O estudo simulou o impacto sobre o custo que a energia teria em algumas empresas e negócios.
Uma padaria, por exemplo, com sete empregados consome 4,7 mil kWh/mês. Isto equivale a uma conta de R$ 2,2 mil por mês. Na Argentina, este valor seria de R$ 600,00 pelos mesmos 30 dias. A causa apontada pela Firjam para o alto preço da energia no Brasil está na tributação.
Contudo, a Firjam aponta que a geração, transmissão e distribuição de energia no país, que compõem a primeira parte da tarifa (sem os impostos), é mais cara no Brasil do preço final pago em locais como Argentina, China e os Estados Unidos.
A solução? Para a Firjam é a redução da carga tributária, a eliminação de algumas contribuições – caso da Conta de Consumode Combustíveis (CCC) – e a redução dos subsídios cruzados.
Inadimplência
Hoje, a Celesc tem R$ 800 milhões a receber em dívidas de clientes em todo o estado. Na região de Tubarão*, este valor chega a R$ 22 milhões. Deste total, entre R$ 6 milhões a R$ 7 milhões são referentes a faturas que não completaram 30 dias de vencimento. Outros R$ 11 milhões são de faturas vencidas há mais de um ano. Neste caso a cobrança é feita por intermédio da justiça.
* A regional de Tubarão atende aos municípios de: Capivari de Baixo, Garopaba, Imaruí, Imbituba, Jaguaruna, Laguna, Orleans, Pedras Grandes, Sangão e Tubarão.
Tributação é quase 80% do preço da energia
Para o presidente da Celesc, Antonio Gavazzoni, a metodologia utilizada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjam) no estudo não é a ideal. Segundo ele, o valor da energia em Santa Catarina é mais barata do que muitos estados. E mais: o preço não é menor por causa dos subsídios cedidos às cooperativas.
Conforme o gerente regional da estatal em Tubarão, Gerson Bittencourt, cerca de 80% do preço da fatura é proveniente da compra de energia e tributação, valores que não podem ser reduzidos. Para ele, o estudo também não leva em conta que algumas distribuidoras não haviam feito o reajuste da fatura e outras já.
Este ano, o valor da energia no estado teve um aumento de 7,97% , o que representa um efeito médio de 1,19% de acréscimo para o consumidor. O preço pago pelas indústrias (R$ 0,44 por cada kWh) antes do reajuste, chega a ser um pouco menor que o valor imposto aos consumidores (R$ 0,46 por kWh).
Geralmente, os consumidores de alta tensão têm um acordo com a Celesc. Dependendo do horário que consomem energia, pagam um valor diferenciado. Entre às 18h30min e 21h30min, horário de pico, o preço é menor.