Matéria de capa do Notisul, na última sexta-feira, informa que: “Tubarão tem média menor que a do estado no Ideb”. Mas a cidade já teve média maior do a do estado, conforme atestou, em 2005, a secretaria estadual do planejamento, que informava o nível da aprendizagem via IDH. A partir de 2007, o Brasil adotou o Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb).
A inversão, extremamente preocupante, é uma tragédia anunciada, devido, principalmente, ao abandono de diversas práticas na rede estadual. Práticas estas que antes, comprovadamente, impulsionavam a aprendizagem e foram configuradas pela conceituadíssima revista Exame como as “quatro ideias para avançar na educação”.
Faziam-se planejamentos bimestrais e os professores, reunidos por disciplina ou série e orientados por monitores capacitados pela própria gerência de educação, organizavam a problematização e a historicização dos conteúdos. Fundamentais para resgatar os significados destes e, consequentemente, serem desafiadores e interessantes aos alunos.
Organizaram-se, em 2003, os conteúdos de todas as disciplinas e séries para evitar que alunos da mesma série, de escolas vizinhas ou da própria instituição, porém de outro turno, estudassem assuntos completamente diferentes. Muitas vezes, os aprendizes não apresentam bom desempenho nas avaliações externas porque lhes cobram o que não é ensinado.
Elegemos indicadores (evasão, repetência, faltas dos alunos e dos professores) que eram medidos bimestralmente em cada escola. Com base nestes dados, publicados em grandes painéis na entrada e na recepção da gerência, reuníamos, no início de cada ano, todos os professores e funcionários da região para determinar, coletivamente, as metas para o ano em curso e os métodos para as alcançar.
As escolas redimensionavam, assim, as atuações dos professores, pais, alunos e direção para sanar deficiências ou para avançar. O estado, se desejasse, poderia, também, com base nos dados acima, implantar a meritocracia.
Instituímos um vigoroso programa de capacitações, na modalidade “escola inteira”, com o objetivo de evitar os fracassados repasses e, ao mesmo tempo, contribuir para a construção da necessária unidade teórico-prática e no reforço da identidade escolar. Alicerçadas na Proposta Curricular de Santa Catarina, tais medidas eram realizadas de modo a garantirem respeito e dignidade ao professor e, 100% de presença e atenção.
Se estas práticas fossem aperfeiçoadas ao invés de abandonadas – e outras fossem implementadas -, com certeza, continuaríamos impulsionando para cima – e não para baixo – a média estadual (5,2 nas séries iniciais do ensino fundamental, 4,5 nos anos finais e 4,1 no ensino médio). E, talvez, tivéssemos atingido ou ultrapassado a meta nacional, que é de 6,0.
Espera-se que a administração pública supere esta grave doença chamada descontinuidade (não prosseguir o que deu certo em administrações anteriores), para que a coletividade, principalmente a mais pobre, não continue prejudicada.
