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Desentendimento resulta em ordem de prisão

Silvana Lucas
Tubarão

A prisão de um homem após furtar dois repelentes em um supermercado em Laguna, nesta terça-feira, resultou na ordem de voz de prisão a um coronel e a três oficiais da Polícia Militar da Cidade Juliana. O caso veio à tona ontem. 

Conforme o delegado Leandro Loreto, quatro policiais militares encaminharam o suspeito algemado à delegacia. O delegado ouviu barulhos e vozes alteradas, que vinham da cela onde estava o homem.

“Quando fui até a cela, vi o preso deitado no chão, com sinais de violência. Perguntei quem tinha batido e um dos policiais me disse que se eu estava com pena, poderia levá-lo para casa”, conta Leandro. De acordo com o delegado, neste momento ele deu voz de prisão aos policiais. 

“Anunciei que foi por desrespeito e abuso de autoridade, e que eles responderiam um termo circunstanciado. Um dos militares chegou a prestar depoimento, mas depois saíram da delegacia. Em seguida fiz contato com o superior da corporação”, relata Leandro.

No início da tarde do mesmo dia, o comandante da Guarnição Especial da Polícia Militar de Laguna, tenente-coronel Jefer Francisco Fernandes e os policiais se apresentaram. “O oficial superior pediu uma cópia do depoimento. Não o entreguei porque, apesar de já estar assinado, não deve ser liberado, somente com as tratativas de um advogado. Mesmo assim, o comandante pegou o documento que estava na mesa, o amassou, fez uma bolinha e o guardou no bolso”, detalha o delegado.

Ainda conforme o policial civil, neste momento o tenente-coronel também recebeu voz de prisão. “Por desacato, supressão de documento e desobediência. Apesar deste militar ocupar um alto posto em sua corporação, nesta delegacia sou a autoridade maior”, justifica Leandro.

Segundo ele, a soma dos três crimes no qual o comandante recebeu é inafiançável. “Ele e seus oficiais simplesmente viraram as costas e saíram. Neste momento eu não quis fazer um confronto. Qualquer pessoa que não tivesse a força bélica estaria presa”, enfatiza Leandro.

A versão da Polícia Militar
A apuração dos fatos para os militares deve ser esclarecida em 40 dias. “A Polícia Militar não fará por enquanto nenhum posicionamento para não sermos levianos. Não vamos nos ater nesta informação somente com as palavras do delegado. Ouvimos nossos oficiais que nos relataram a ocorrência. A nossa corporação já abriu um inquérito no comando geral da Polícia Militar de Santa Catarina, em Florianópolis, antes do policial civil divulgar sua história”, informou o comandante da 8ª Região de Polícia Militar (RPM) de Tubarão, coronel Adenicio João Marques. Para o comandante, após a conclusão do inquérito e apuração de todas as provas, será apresentada a verdade. “Vamos buscar o que realmente aconteceu. Não queremos de forma alguma ‘manchar’ uma relação de parceria existente em Laguna entre as polícias Militar e Civil. Em nossa região nunca existiu uma desarmonia, esta é uma situação pontual, que deve ser investigada. Nossa preocupação é com a harmonia do ambiente para o benefício da sociedade”, ressalta Adenicio.

Relatório
Após esta ocorrência, o delegado Leandro Loreto fez um relatório e encaminhou ao Ministério Público (MP) da Cidade Juliana. “Ele não está preso porque vez valer de sua tropa para se furtar de sua responsabilidade. Acredito que o MP deve abrir um procedimento investigatório criminal e as duas corregedorias devem apurar os dois lados. Minha ação foi legítima, em preservar a ordem pública e evitei um confronto entre policiais”, relata Leandro, que retornou ontem ao seu posto de delegado da comarca de Forquilhinha, após ficar 22 dias na função em Laguna, na Operação Veraneio.

O tenente-coronel 
O comandante da Guarnição Especial da Polícia Militar de Laguna, tenente-coronel Jefer Francisco Fernandes, foi procurado para dar a sua versão sobre os fatos, mas, por recomendação da corporação, as explicações sobre o episódio, neste caso, são de responsabilidade da 8ª Região de Polícia Militar (RPM) de Tubarão.  

Suspeito
O homem detido por furtar dois frascos de repelente foi liberado e deve responder um termo circunstanciado. 

 

 

 

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