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Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais reforça prevenção e diagnóstico precoce

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Celebrado nesta terça-feira (28), o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais marca o ponto alto da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites. A mobilização busca alertar a população para doenças que, na maioria dos casos, evoluem de forma silenciosa e podem causar complicações graves quando não identificadas precocemente.

Instituída no Brasil pela Lei nº 13.802/2019, a campanha reforça a importância da vacinação, da realização de testes e da adoção de medidas preventivas para reduzir os casos da doença.

Hepatites costumam evoluir sem sintomas

As hepatites virais provocam inflamação no fígado e são classificadas conforme o vírus causador: A, B, C, D (Delta) e E. No Brasil, os tipos A, B e C são os mais frequentes.

Segundo o hepatologista Adriano Moraes, diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), o fígado pode permanecer inflamado por anos sem apresentar sinais evidentes.

“O fígado sofre em silêncio. A maioria das hepatites e doenças hepáticas não causa dor nem sintomas no início”, explica o especialista.

Quando a doença já está em estágio mais avançado, podem surgir sintomas como:

  • Pele e olhos amarelados;
  • Urina escura;
  • Fezes claras;
  • Dor abdominal;
  • Coceira na pele;
  • Cansaço intenso e perda de apetite.

Sem tratamento, as hepatites podem evoluir para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Vacinação e testagem são as principais formas de prevenção

A Sociedade Brasileira de Hepatologia destaca que o diagnóstico precoce reduz significativamente o risco de complicações.

Entre as principais recomendações estão:

  • vacinação contra hepatites A e B, conforme indicação do calendário vacinal;
  • realização de testes rápidos para hepatites B e C;
  • uso de preservativos nas relações sexuais;
  • não compartilhar agulhas, seringas, lâminas de barbear, alicates de unha e escovas de dentes;
  • adoção de cuidados com higiene e segurança em procedimentos que envolvam contato com sangue.

A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para toda a população. Já a imunização contra a hepatite A é indicada para grupos específicos, como crianças e pessoas com maior risco de exposição.

O especialista também recomenda que todas as pessoas realizem pelo menos uma testagem para hepatites B e C ao longo da vida, especialmente aquelas com mais de 40 anos ou pertencentes aos grupos considerados prioritários.

Gestantes devem realizar exames no pré-natal

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) reforça que a realização de exames durante o pré-natal é fundamental para prevenir a transmissão da hepatite B e da hepatite C da mãe para o bebê.

Segundo o ginecologista Regis Kreitchmann, identificar a infecção ainda durante a gestação permite adotar medidas capazes de proteger a gestante e reduzir o risco de transmissão vertical.

Entre as hepatites que podem ocorrer durante a gravidez, apenas a hepatite B possui vacina.

Brasil registra mais de 826 mil casos

Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, apontam que o Brasil registrou 826.292 casos entre 2000 e 2024.

A hepatite C representa o maior número de notificações, com 342.328 casos (41,5%), seguida pela hepatite B, com 302.351 registros (36,6%), e pela hepatite A, com 174.977 ocorrências (21,2%).

No mesmo período, foram contabilizados 49.999 óbitos por causas básicas relacionadas às hepatites virais, sendo a hepatite C responsável por mais de 75% dessas mortes.

Desafios para eliminar as hepatites

A Sociedade Brasileira de Hepatologia aponta que o país ainda enfrenta obstáculos para ampliar o controle da doença, entre eles:

  • baixa cobertura vacinal;
  • diagnóstico insuficiente;
  • acesso limitado a exames;
  • demora no encaminhamento para especialistas;
  • desigualdades regionais;
  • dificuldade de manter pacientes em acompanhamento contínuo.

A meta do Ministério da Saúde é eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

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