Maurício da Silva
Mestre em Educação
A exoneração do diretor de escola José da Silva Thiesen é mais uma marcha a ré que impuseram à Educação Pública Estadual na Região de Tubarão.
A Escola Martinho Alves dos Santos, dirigida pelo ‘Zé’ nos últimos 20 anos – portanto, perpassando governos de diferentes partidos políticos – é pública, mas possui estrutura física e de material didático como se fosse particular. Jamais por meio dos recursos do governo do Estado, mas pela liderança positiva que o agora ex-diretor exerce/exercia sobre pais, professores, funcionários, alunos e empresariado.
O ‘Zé’ envolvia o Conselho Deliberativo, a Associação de Pais e Professores e a Comunidade do Entorno da Escola no delineamento e na concretização dos Projetos Escolares. Sua administração é ‘case’ de sucesso e vitrine para o governo do Estado, principalmente, nestes tempos de dinheiro curto.
Mas o ‘Zé’ estava “marcado para morrer” (como Tiradentes, Zumbi dos Palmares e tantos outros líderes positivos, esquartejados com partes do corpo expostos em praça pública) como forma de intimidar os demais. Liderança se firma pela eficiência e pela ética, jamais sendo ‘boazinha’ ou autoritária. Estas últimas conseguem, apenas, como no caso da exoneração do Zé, impor prejuízos à coletividade que lhes paga para resolver os problemas.
Não assumem, inclusive, a exoneração do diretor: ‘São queixas de alunos, pais e professores’.
Há três acusações, todas resolvidas, como consta do processo, sem prejuízo para a Educação: 1) Não ter matriculado uma criança no período da tarde, já que só havia vaga para o turno matutino. Provisoriamente, a criança começou a frequentar as aulas pela manhã e acabou desistindo da mudança para a tarde; 2) Ao rapaz de 15 anos, que queria ser matriculado sem a presença dos pais, a escola negou a vaga até que se fizesse acompanhar pelos responsáveis, o que acabou ocorrendo; 3) Uma professora viajou 15 dias para Inglaterra, mas só avisou a escola às vésperas da partida, tendo os dias de afastamento descontados de sua folha de pagamento.
A grande verdade é que a Educação Estadual na Região Tubarão – que já foi referência, inclusive enviando professores para palestrar, em partilha com outras regiões – passou a colecionar retrocessos. Houve época que se elevou o IDH-Educação da região acima da média estadual por meio de vigoroso programa de capacitação (para todos os professores, inclusive ‘ACTs’, de todas as escolas) e de acompanhamento (por meio de planejamentos bimestrais, nos quais todos os professores, agrupados por disciplinas ou séries, estudavam e trocavam experiências sobre como problematizar, avaliar e retrabalhar os conteúdos programáticos).
Abandonaram esses processos pedagógicos e cometem outros desatinos como o fechamento da escola João XXIII, no bairro Passagem, mesmo com 1203 adolescentes tubaronenses, em idade escolar, fora da escola, segundo o IBGE. No nono ano do Ensino Fundamental na rede pública estadual de Tubarão, apenas 42% dos alunos têm ‘aprendizado adequado’ em Português e 25% em Matemática, informa a Prova Brasil 2015. Desatinos que comprometem toda uma geração de jovens.