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Energia verde atestada

A inauguração do laboratório que atenderá toda Santa Catarina coloca o estado na vanguarda para a produção de energia e combustível a partir dos dejetos e suínos e aves  - Foto:Neiva Daltrozo/Governo do estado/Notisul
A inauguração do laboratório que atenderá toda Santa Catarina coloca o estado na vanguarda para a produção de energia e combustível a partir dos dejetos e suínos e aves - Foto:Neiva Daltrozo/Governo do estado/Notisul
Zahyra Mattar
Braço do Norte
 
Toda a energia verde a ser produzida em Santa Catarina em muito breve será comprovadamente atestada. O primeiro Laboratório de Estudos em Biogás de Santa Catarina, localizado no centro de pesquisas da Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia, no oeste do estado, será o responsável por assegurar a qualidade do combustível.
 
Entre as inovações, está a análise físico-quimica de dejetos orgânicos de suínos e aves. A estrutura foi inaugurada esta semana pelo governador Raimundo Colombo e representa um marco na evolução tecnológica a fim de aumentar a eficiência energética catarinense.
 
O laboratório avaliará a composição química do dejeto e o laudo apontará de que forma precisa ser purificado para ser colocado na rede de distribuição da SCGás. O serviço será disponibilizado para todo o estado, inclusive para o Vale do Braço do Norte, onde existe o projeto de construção de uma usina de Biogás.
 
Além de dar suporte para todos os projetos que forem feitos no estado, este tipo de estudo é como se fosse uma certificação do gás. O projeto também teve o apoio da BGT Energie, empresa interessada em investir na usina de São Maurício, em Braço do Norte.
 
O laboratório estará à disposição de órgãos públicos e empresas privadas que pretendem desenvolver ações nesse sentido. Outro ponto importante é que o investimento é o começo para que Santa Catarina, em poucos anos, não dependa exclusivamente do gás natural da Bolívia.
 
“Temos capacidade de produzir três milhões de metros cúbicos diários por meio de dejetos de suínos e aves. O gás natural renovável será um grande marco no desenvolvimento sustentável do estado”, valoriza o presidente da SCGás, Cósme Polêse.
 
Um diferencial para a região
Enquanto o estado trata de fomentar a produção de energia renovável, várias empresas do mundo descobrem o potencial de Santa Catarina em gerar condições para isso. Atualmente, existem três projetos em desenvolvimento.
 
Todos eles são da iniciativa privada: o aproveitamento do lixo no aterro na Grande Florianópolis e a construção das usinas em Braço do Norte e em Concórdia. No momento, todos estes projetos estão na fase de estudo de viabilidade financeira.
 
A partir do momento em que isso for superado, as obras poderão começar. Além de um benefício indescritível para o meio ambiente, estas iniciativas colocarão Santa Catarina na vanguarda da produção de energia limpa e renovável. 
 
E um dos pontos que atrai o empresariado é que a SC-Gás não comprará uma parte da produção, mas toda ela. Na região, a expectativa é imensa. O investimento será feito pela Empresa Catarinense de Bioenergia.
 
A escolha por Braço do Norte Não foi aleatória. Região com concentração recorde de suínos no mundo, o Vale representa 9% da produção catarinense e deve receber investimentos nos próximos quatro anos para implantação de cinco usinas de biogás.
 
O projeto está pronto e licenciado, resta apenas buscar uma fonte financeira. A primeira usina será instalada na localidade de São Maurício, onde há uma produção estimada de 11,6 mil metros cúbicos por dia de biometano. O investimento previsto é de R$ 22 milhões.
 
As outras usinas estão cotadas para ficar nas comunidades de Cachoerinha (duas unidades), São José (uma) e Pinheiral (uma). Essas localidades perfazem um raio de coleta que apresenta o melhor custo logístico e aproveitariam mais de 80% de todo o dejeto produzido na região.
 
A usina de São Maurício
A primeira usina de biogás em Braço do Norte será implantada na SC-482, na comunidade de São Maurício. O local terá capacidade para coletar dejetos de pelo menos 25 granjas das proximidades, além de resíduos de frigoríficos e indústrias locais. 
 
O empreendimento terá capacidade para processar 700 mil litros de resíduos por dia, com uma geração estimada em 6,8 milhões de metros cúbicos de biogás por ano. Em quatro anos, com a possibilidade de implantação de mais quatro usinas, a produção pode chegar a quase 100 mil metros cúbicos de gás natural por dia, o equivalente a mais de 5% do gás distribuído pela SCGás atualmente.
 
Além de apresentar uma nova solução ambiental para a bacia do Rio Tubarão, o biogás produzido será também transformado em energia elétrica e térmica para ser consumida pela própria usina. O gás carbônico gerado será utilizado no abate dos animais e serão produzidos biofertilizantes, que auxiliarão nas atividades das propriedades.
 
O projeto contempla ainda a utilização de frota de caminhões movidos a BioGNV. Ou seja: o gás gerado pelas usinas será utilizado como combustível nos veículos responsáveis pelo transporte da matéria-prima até as usinas.
 
Quem está de olho em Santa Catarina
A Empresa Catarinense de Bioenergia engloba as marcas Engemab Engenharia e Meio Ambiente, F&K Participações, Excelência Engenharia e Sócio Ambiente e TLL. Juntas, formaram com a Biogastec do Brasil uma sociedade de propósito específico que objetiva a implantação de usinas de biogás em território catarinense.
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