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Entrevista – Vini Amor Animal, vereador de São José e Fundador do Instituto Amor Animal 

“Maus-tratos não são acidentes. São crimes. E crimes precisam de punição exemplar” 

 

 

Nas últimas semanas, o país vem acompanhando o caso do Orelha, cachorro cuidado pela comunidade da Praia Brava, em Florianópolis, que foi cruelmente assassinado por um grupo de adolescentes. Coluna conversou com Vinicius Ramos, conhecido como Vini Amor Animal, vereador de São José e atuante na causa. Confira: 

 

Pelo Estado – O caso do cão Orelha gerou grande mobilização no país e até fora do Brasil. Qual é sua posição sobre esse lamentável episódio? 

Vini Amor Animal – O caso do Orelha não é exceção, ele é símbolo. Símbolo de uma violência que acontece todos os dias e muitas vezes fica invisível. Minha posição sempre foi clara: maus-tratos não são acidente, são crimes. Eu defendo punição exemplar. Já ajudei a levar 15 pessoas à prisão por esse tipo de crime e vou continuar defendendo rigor máximo. Quem agride animal precisa sentir o peso da lei. 

Inclusive, seguimos mobilizando a sociedade para que casos como esse não caiam no esquecimento, porque justiça seletiva não é justiça. 

 

Pelo Estado – Antes da política, veio a causa. Como começou sua trajetória como protetor de animais? 

Vini Amor Animal – Começou na dor e na revolta. Quem é protetor de verdade sabe que não é romantizado. É ver animal ferido, abandonado, espancado, passando fome. É gastar dinheiro do próprio bolso, ouvir ameaça, enfrentar gente que acha que animal é objeto. Eu comecei assim, ajudando como dava, resgatando, cuidando, articulando doações. Com o tempo, isso virou o Instituto Amor Animal, mas nunca deixou de ser uma luta diária. Proteger animal no Brasil é resistência. 

 

Pelo Estado – O senhor costuma dizer que ser protetor é uma das lutas mais solitárias que existem. Por quê? 

Vini Amor Animal – Porque muitas vezes você luta contra tudo e contra todos. Falta estrutura, falta apoio, falta política pública. O poder público nem sempre está preparado, e a sociedade muitas vezes só aparece na hora da comoção. Mas quando a notícia some, o problema continua. O protetor segue lá, sozinho, limpando ferida, pagando veterinário, procurando lar. Eu vivi isso por anos, e é isso que moldou quem eu sou. 

 

Pelo Estado – Em determinado momento, o senhor esteve à frente da Dibea. Como foi essa experiência? 

Vini Amor Animal – Foi um dos períodos mais difíceis e mais importantes da minha vida. A Dibea é onde o problema aparece cru, sem filtro. Ali você vê o reflexo de décadas de abandono, de falta de políticas sérias de castração e educação. Tentamos organizar, estruturar, dar dignidade, mas também enfrentamos limitações enormes. Aquela experiência me mostrou que só vontade não resolve. É preciso lei, orçamento, fiscalização e decisão política. 

 

Pelo Estado – Foi isso que levou o senhor a disputar uma eleição? 

Vini Amor Animal – Exatamente. Eu entendi que continuar só apagando incêndio não bastava. Ou a gente entrava na política, ou continuaria enxugando gelo. A eleição foi consequência da causa. Não foi projeto de poder. Foi projeto de enfrentamento. As pessoas confiaram porque sabiam que eu já fazia antes de pedir voto. 

 

Pelo Estado – E como foi a experiência de ser eleito vereador em São José? 

Vini Amor Animal – Foi uma mistura de responsabilidade e cobrança interna. Quando você vem de uma causa, não tem espaço para discurso vazio. Eu sabia que precisava honrar cada protetor, cada voluntário, cada pessoa que acreditou. No mandato, seguimos com tolerância zero aos maus-tratos, fortalecendo a fiscalização, apoiando políticas de castração e usando o mandato como instrumento de proteção real. 

 

Pelo Estado – Recentemente, o senhor recebeu dois reconhecimentos importantes: um institucional e outro digital. Como recebe essas premiações? 

Vini Amor Animal – Recebo com gratidão, mas também com muito pé no chão. Ser eleito Melhor Vereador de São José pela MIDAZ mostra que o trabalho está sendo visto. Já estar entre os cinco políticos mais influentes de Santa Catarina nas redes sociais, segundo a BN3, mostra que as pessoas querem política com verdade, com causa e com presença. Foram mais de 1,4 milhão de engajamentos, mais de 11 mil novos seguidores e mais de 100 publicações no período analisado. Mas isso não é vaidade. É ferramenta. Comunicação, pra mim, é extensão do mandato. 

 

Pelo Estado – Esses números refletem uma liderança em ascensão? 

Vini Amor Animal – Eu acredito que refletem coerência. Quando você fala na rede o que faz na rua, as pessoas percebem. Não existe personagem. Existe propósito. E enquanto tiver animal sofrendo, abandono nas ruas e gente achando que isso é normal, meu trabalho, dentro e fora da política, não acaba. 

 

 

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