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Era de brinquedo… Mas não era brincadeira

ma cena que entristece e assusta. Os menores levaram uma revista dos policiais militares, após denúncias de que estavam armados. Com eles, foram encontradas duas pistolas e um revólver de brinquedo, parecidos com os de verdade.
ma cena que entristece e assusta. Os menores levaram uma revista dos policiais militares, após denúncias de que estavam armados. Com eles, foram encontradas duas pistolas e um revólver de brinquedo, parecidos com os de verdade.

Mirna Graciela
Tubarão

A problemática de menores envolvidos com a violência e a marginalidade está insustentável e em proporções cada vez maiores. Ontem à tarde, em Tubarão, quatro adolescentes de 14 anos, uma criança de 11 e um jovem de 21 foram surpreendidos por policiais militares, na avenida Marcolino Martins Cabral, no bairro Aeroporto. Eles portavam armas de brinquedos, semelhantes às de verdade.

A cena chamou, e muito, a atenção de quem passou no local, diante das atitudes ‘marrentinhas’ dos rapazes. Afinal, estavam munidos de duas pistolas e uma revólver. E nessa hora não tem como a população distinguir uma arma de brinquedo de uma de verdade.
Após denúncias de pessoas que viram os menores de bicicleta com armas na cintura, a Polícia Militar abordou os garotos, que tiveram seus ‘brinquedos’ apreendidos. Um deles chorava muito. Todos levaram uma revista.

Os garotos já eram conhecidos da polícia. E as suspeitas dão conta de que estavam prontos para cometer algo ilícito. O de 21 tem passagens por assaltos e furtos na cidade. A maioria deles mora na Área Verde, no bairro Passagem. Um boletim de ocorrência foi registrado e todos foram liberados, pois não ficou caracterizado flagrante criminal.

Armas de brinquedo estimulam a violência

O vereador Ricardo Arboite (PP), de Capivari de Baixo, apresentou um projeto de lei que proíbe a comercialização de armas de brinquedo que apresentem características semelhantes a armas verdadeiras em formato, tamanho e cor.

O projeto também determina que os estabelecimentos comerciais da cidade serão obrigados a afixar em local visível mensagens educativas de advertências com a seguinte expressão: “Armas de brinquedos estimulam a violência”. Segundo o vereador, a iniciativa foi tomada em decorrência dos fatos lamentáveis que a região presencia atualmente. “Está muito complicado. Há dois meses, encontrei armas no comércio muito parecidas com as de verdade. Muitos pais não levam isto em conta e compram para seus filhos. Está errado, é um estímulo à violência”, alerta.

Os vereadores aprovaram o projeto, que agora vai para a mesa diretora, para depois ser sancionado pelo prefeito Luiz Carlos Brunel Alves. “Acredito que o poder executivo vai analisar com muito carinho e, com certeza, o projeto vingará”, espera Ricardo.

Nas escolas, nas ruas, nos estabelecimentos

O uso de armas ‘de verdade’ ou ‘de mentira’ por menores virou uma rotina assustadora. Em Tubarão, nos últimos dias, houve o registro de casos ocorridos em escolas, estabelecimentos comerciais e abordagens a pessoas em plena luz do dia. Semana passada, na Escola Alda Hulse, bairro São João (ME), adolescentes armados invadiram a instituição e assustaram funcionários e alunos. No mesmo período, um deles entrou em uma padaria, no bairro Oficinas. Na Escola Célia Coelho Cruz, no mesmo bairro, o fato se repetiu. Três estudantes tiveram seus relógios roubados por menores que simularam estar armados. O fato tem deixado pais e educadores em estado temor e alerta. Inclusive alguns transferiram seus filhos para outras instituições.

"Estou muito preocupado com o aumento da violência. Os programas de televisão, a internet e os jogos de vídeogame com tiros e lutas. Tudo isto tem influenciado as crianças. Nós temos que dar um basta para esta situação. Em casa, eu proibi meu filho de usar vídeogame deste tipo. Outros pais devem fazer o mesmo”.

Vereador Ricardo Arboite (PP), de Capivari de Baixo

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