Até bem pouco tempo, a escola não aparecia, nem nos mais terríveis pesadelos, como um espaço de morte. Sempre como espaço de vida, pulsando e se aperfeiçoando.
No entanto, de uns tempos para cá, a escola virou também espaço de morte, lenta e gradual ou em grandes tragédias como a da Escola Municipal Tasso da Silveira (Rio de Janeiro), no dia 7 de abril deste ano, quando 12 crianças foram barbaramente assassinadas e tantas outras gravemente feridas a tiros. Ocorreu antes nos Estados Unidos, Finlândia, China e Canadá.
A princípio, a escola está mais violenta, porque a sociedade também está. Esta se reflete naquela. De toda forma, soa estranho, pois a escola era vista como uma espécie de santuário. Intocável, a não ser para exercer a nobre função de ensinar e aprender, conhecer pessoas, fazer amizades, viver e preparar-se para a vida.
Todavia, os sinais de morte crescem nas escolas, gradativa ou abruptamente, por ações e omissões internas e externas, sem que se percebam ações relevantes para impedi-las. Há muito, os professores vêm se queixando e, com frequência cada vez maior, da crescente indisciplina dos alunos e da insegurança causada por eles e por pessoas estranhas ao ambiente escolar. São comuns, quase repetitivas, as notícias de escolas vandalizadas.
Somente entre o final de março e início de abril deste ano, aqui na Santa e bela Catarina, aconteceram diversas situações de grave risco em estabelecimentos de ensino. Na Escola Moreira Douat (Joinville), a cobertura de um ginásio de esportes em construção desabou. Na Escola Ideal (Jaraguá do Sul), uma bomba explodiu em uma sala de aula. Na Escola Carlos da Costa Pereira (São Francisco do Sul), um estudante comeu vidro na merenda. No Centro de Excelência Evaristo Stoeberl (Rio Negrinho), uma cobra jararaca foi encontrada na caixa de bananas que serviria de lanche para os alunos. Nas escolas Silveira de Souza e Celso Ramos (Florianópolis), alunos foram detidos com armas de fogo carregadas. Noutra escola da região de Joinville, um aluno agrediu o professor. E não faz muito tempo, uma aluna avançou sobre outra com tal violência que rompeu o baço. Em Minas Gerais, um adolescente morreu no dia 25 de março, após ter sido esfaqueado, na escola, por um colega, e um professor universitário, não faz muito, foi assassinado por um aluno. No Rio de Janeiro, uma professora foi condenada a 12 anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável, por se relacionar com uma aluna de 13 anos. Santa Catarina já havia registrado outros casos de agressão de aluno e de mãe contra professor, sem falar do flagelo das drogas.
A tragédia do Rio de Janeiro e dos demais países citados constituem-se uma excepcionalidade da qual ninguém está escape. Malucos, esquizofrênicos, psicopatas e outros estão por toda parte, convivendo “normalmente” com a sociedade, e podem atacar a qualquer momento. Seus atos terroristas causam grande comoção social – porque matam muitas pessoas ao mesmo tempo e, geralmente jovens – e suscitam reação vigorosa e imediata da sociedade. Providências devem ser tomadas: em forma de vigilância eletrônica e humana, câmeras de segurança, detectores de metal e outros ou, ao menos, estar de posse de informações sobre como identificar tais suicidas, para que, acompanhados, evite-se que outra tragédia se repita.
As outras tragédias escolares, citadas anteriormente, inclusive a do péssimo ensino técnico e ético causam mais vítimas, mas por acontecer aos poucos, em datas e lugares diferentes, e a dor se circunscrever aos familiares e amigos mais próximos, provocam reação menos intensa, o que leva a não tomada efetiva de providências, facilitando o seu avanço.
Estas sucessivas barbáries sinalizam que a situação está fugindo do nosso controle. Há que se repensar, urgentemente, o educar e a forma como fazê-lo. Além disto, a sociedade deve agir preventivamente, com firmeza e perseverança e, a cada sinal de morte, exigir postura e ação de prevenção, antes que o que era só sinal se transforme em tragédia pessoal ou coletiva. Principalmente, se for na escola, espaço por excelência, instituído pelo próprio homem, para dar vigor à vida.
