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Abertura do mercado anuncia o fim da crise

 

Zahyra Mattar
Braço Norte
 
Oito mil produtores de suínos de Santa Catarina aguardam notícias que vêm do outro lado do mundo. A viagem da presidenta Dilma Rousseff à China tem o intuito de abrir o mercado asiático à carne suína brasileira. O setor está em crise desde 2005, quando a Rússia boicotou as exportações catarinenses.
 
Na região, o clima não é diferente. Nem poderia. Somente no núcleo sul da Associação Catarinense de Criadores Suínos (ACCS), são 453 suinocultores. Santa Catarina é hoje o maior produtor do país – ainda que tenha demanda de exportação menor, o líder no ranking é o Rio Grande do Sul – e deverá ser a maior beneficiada das negociações.
 
“Hoje, mal trabalhamos para empatar com o custo da produção. Estamos com esta expectativa de voltar a alavancar a atividade desde novembro do ano passado, quando recebemos a certificação dos Estados Unidos. Ainda não emplacamos e está cada vez mais inviável continuar a investir no setor”, pontua o presidente da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi.
 
Ele também é produtor, em Orleans, e acredita que a abertura para o mercado chinês é ainda mais vantajosa do que para o norte-americano. “Os chineses consomem muita carne de porco. Chega a 50 quilos por pessoa no ano”, valoriza Lorenzi.
 
Custo da produção ainda é alto
Com a menor demanda de exportação, o preço do suíno em Santa Catarina caiu muito. Desde 2005, há uma certa linearidade nos valores, que não chegam a suprir o custo da produção. Em fevereiro deste ano, por exemplo, o custo total da produção de um suíno era de R$ 2,65. Este mesmo animal era adquirido por apenas R$ 2,21. Em resumo: o suinocultor tirava pelo menos R$ 0,44 do bolso para se manter na atividade. E a situação não é estável. No mês passado, o preço do suíno vivo na região era de R$ 2,16.
Nem mesmo a isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), anunciada pelo governo estadual em janeiro deste ano para estimular o segmento, salvou os produtores da crise. Parte deste insucesso pode ser creditado ao fato de que a crise foi acumulativa desde 2005.
“Se a abertura do mercado chinês realmente ocorrer, é uma oportunidade de sairmos definitivamente da crise. Até mesmo por conta do alto consumo naquele país e pela constatada qualidade da carcaça suína de Santa catarina, cujo reconhecimento é internacional”, valoriza o presidente da Associação Catarinense de Criadores Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi.
 
 
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