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Especialista alerta para riscos do vício em apostas online e jogos eletrônicos

FOTO AP/IA Divulgação Notisul 

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O crescimento das plataformas de apostas esportivas, conhecidas como “bets”, e dos jogos online tem ampliado o debate sobre os impactos dessas atividades na saúde mental. O que muitas vezes começa como entretenimento ou uma tentativa de obter renda extra pode evoluir para um comportamento compulsivo capaz de comprometer a vida financeira, profissional, emocional e social dos usuários.

A psicóloga Fabiana Faust Fretta, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e referência no tratamento de dependência em jogos, alerta que o vício em apostas online costuma se desenvolver de forma gradual, tornando difícil sua identificação nos estágios iniciais.

“Inicialmente, a pessoa joga ou aposta por diversão, para aliviar o estresse ou buscar emoções positivas. Com o tempo, pode surgir uma necessidade cada vez maior de permanecer conectada, apostando valores mais altos ou dedicando mais horas aos jogos para sentir a mesma satisfação”, explica.

Como os jogos estimulam a permanência dos usuários

Segundo a especialista, muitos jogos eletrônicos e plataformas de apostas são desenvolvidos para manter o usuário conectado pelo maior tempo possível.

Um dos principais mecanismos utilizados é o sistema de recompensa variável, no qual a pessoa não sabe exatamente quando será recompensada. Essa incerteza estimula a continuidade da atividade e aumenta a expectativa por uma nova vitória.

Quando a recompensa acontece — seja por meio de uma vitória, bônus ou prêmio — ocorre a liberação de dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e motivação.

“O cérebro reage mais fortemente quando não sabe se vai ganhar do que quando sabe que vai ganhar. Por isso é tão difícil parar depois de apenas mais uma rodada”, destaca Fabiana.

Ela ressalta ainda que a facilidade de acesso por smartphones, disponível a qualquer hora do dia, somada à possibilidade de ganhos financeiros, aumenta o potencial de envolvimento excessivo.

Quando o lazer se transforma em transtorno

A psicóloga explica que a principal diferença entre um hobby e um transtorno está no impacto que a atividade causa na rotina da pessoa.

Quem utiliza os jogos apenas como entretenimento consegue estabelecer limites e interromper a atividade quando desejar. Já nos casos de dependência, o controle vai sendo perdido gradualmente.

“A pessoa continua jogando mesmo diante de perdas financeiras, conflitos familiares ou dificuldades no trabalho. O que antes era lazer passa a ser uma necessidade”, afirma.

Não existe um perfil único de dependente

Embora crianças e adolescentes sejam considerados grupos vulneráveis devido ao contato precoce com tecnologias, o número de adultos que procuram ajuda por problemas relacionados a apostas também tem aumentado.

Segundo Fabiana, homens entre 20 e 50 anos ainda representam uma parcela significativa dos atendimentos, mas o perfil dos pacientes está cada vez mais diversificado.

“Temos observado mais mulheres, pessoas casadas e profissionais com carreiras consolidadas procurando atendimento por dificuldades relacionadas às apostas. Não existe um perfil único”, explica.

Fatores como impulsividade, dificuldades emocionais, estresse e fácil acesso às plataformas podem aumentar o risco de desenvolvimento do transtorno.

Sinais de alerta merecem atenção

Alguns comportamentos podem indicar que a relação com jogos e apostas está se tornando problemática.

Principais sinais de alerta:

  • Pensar em jogos ou apostas durante grande parte do tempo;
  • Tentar parar e não conseguir;
  • Necessidade de apostar cada vez mais para obter satisfação;
  • Irritação ou ansiedade quando não consegue jogar;
  • Mentir sobre o tempo ou o dinheiro gasto;
  • Queda no desempenho escolar ou profissional;
  • Afastamento de amigos e familiares;
  • Acúmulo de dívidas.

De acordo com a especialista, um dos comportamentos mais característicos da dependência é a tentativa constante de recuperar valores perdidos.

“Quando a pessoa perde dinheiro e volta a apostar tentando recuperar o prejuízo, geralmente entra em um ciclo que agrava progressivamente a situação financeira e emocional”, alerta.

O que são as bets?

As chamadas bets são plataformas digitais destinadas à realização de apostas. O termo deriva do verbo inglês to bet, que significa apostar.

No Brasil, a expressão popularizou-se principalmente em referência a sites de apostas esportivas, como palpites em partidas de futebol, além de jogos de cassino online, incluindo modalidades semelhantes a caça-níqueis virtuais.

Especialistas alertam que, embora sejam frequentemente apresentadas como entretenimento, essas plataformas utilizam mecanismos psicológicos semelhantes aos observados em jogos de azar tradicionais.

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