
Rodrigo Speck
Tubarão
Uma semana depois que a direção do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) anunciou a possível interrupção dos serviços de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o governo do estado decidiu se pronunciar. Por meio de uma nota oficial, divulgada ontem, representantes da secretaria estadual de saúde deram a versão do governo para o caso.
De acordo com o órgão, existe um contrato com o HNSC para a prestação de serviços ambulatoriais, de urgência e emergência por meio do SUS. Na nota, os representantes do governo informaram que, mensalmente, são repassados aproximadamente R$ 4,6 milhões, entre incentivos estaduais e federais.
E ainda que, além dos procedimentos lançados no sistema DataSUS do Ministério da Saúde, existem outros, que não são cobertos pela tabela e que ultrapassam a capacidade de atendimento do hospital, como por exemplo os leitos de UTI não credenciados.
Sobre a dívida de R$ 1.144.439,92, questionada pela direção do hospital, o órgão do governo do estado não se pronunciou. Apenas comunicou que deverá fazer um levantamento dos valores. Depois das eleições, o secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, Jairo Cascaes, deverá intermediar uma reunião entre a secretária estadual de saúde, Tânia Eberhardt, e os representantes da instituição.
O objetivo é que os interessados cheguem a um acordo para que os serviços não sejam interrompidos.
Se o acordo não ocorrer, os atendimentos serão paralisados
A direção do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) informou na última semana que, a partir do dia 1° de janeiro do próximo ano, alguns serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ser interrompidos.
Se a secretaria estadual de saúde e a direção da instituição não chegarem a um acordo, a unidade deixará de oferecer os serviços de alta complexidade nas áreas de ortopedia, traumatologia, oncologia, cardiologia, neurologia, pediatria, além dos atendimentos a gestantes de alto risco.
A direção apresentou uma lista dos atendimentos que ainda não foram pagos pelo governo do estado. Os dados apontam um déficit de R$ 1.144.439,92.
Os representantes do hospital também questionaram uma dívida que a prefeitura tem com a unidade. O déficit também é relacionado aos serviços do SUS. Ao todo, são R$ 443.379,80, referentes à manutenção da emergência.
Uma reunião que envolveu os membros do executivo municipal e da direção do hospital foi realizada esta semana para tratar do assunto. No encontro, ficou definido que a dívida apresentada pela direção do HNSC foi contraída pela administração anterior, por isso deverá ser cobrada na justiça. O município se comprometeu ao pagamento das duas parcelas que faltam referentes à contratação do terceiro médico que trabalha na emergência. Já a administração do hospital garantiu que apresentará a prestação de contas dos serviços executados.