Fernando Silva
Braço do Norte
Nervosismo, irritabilidade e níveis elevados de estresse. Esses são alguns fatores que estão diretamente ligados quando se fala de trânsito. Muitas vezes é comum perder a paciência. O problema se agrava quando é o horário de pico. O início da manhã, o intervalo do almoço e o fim de tarde costumam ser o terror dos motoristas. Mas engana-se quem pensa que os problemas com o trânsito são exclusividade de grandes centros urbanos com números elevados de habitantes.
Braço do Norte, de acordo com dados da Polícia Militar do município, possui 29 mil habitantes e 22.465 veículos registrados. Esse valor equivale até o fim do mês passado. Além disso, a cidade também é rota para motoristas que desejam chegar a municípios vizinhos, o que amplia o fluxo de carros em circulação.
O subcomandante Marcos Aurélio Ramm destaca que os números de ocorrências são preocupantes, ainda mais se comparados com o restante da Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel). “Nossa situação é bem complicada. Mais ainda se levarmos em consideração outros municípios. O trânsito daqui é violento. Esse número de ocorrências é tão sério que ocupa um quarto de todos os nossos chamados”, revela Marcos. Os atendimentos a acidentes de trânsito somam um total de 23,49% de todas as ocorrências da Polícia Militar de Braço do Norte. Na Amurel, o total de acidentes nos últimos dois anos é de aproximadamente 8,2 mil, enquanto que na Cidade do Vale, no mesmo período, é de 964.
O comandante do batalhão, tenente-coronel Jorge Luiz, afirma que deve ocorrer uma maior valorização da vida, já que as pessoas pensam no prejuízo financeiro, mas não no risco que correm de se ferirem e machucarem os outros.
“O trabalho é progressivo, lento e a médio e longo prazo. É só com a reeducação e a conscientização da população que vamos conseguir vencer essa luta”, considera.
Ações da prefeitura visam melhorar a situação
O prefeito de Braço do Norte, Ademir Matos, afirma que está ciente da situação do trânsito no município. Em virtude disso, o governante destaca que existe um trabalho constante com empresas especializadas no setor para solucionar as questões, que algumas vezes precisam de um tempo hábil para serem feitas com base em estudos.
“Nós temos o planejamento de pavimentar algumas ruas específicas, algumas até com contrato e ordem de serviço, que vão permitir espalhar o trânsito, assim como na Avenida Getúlio Vargas, uma obra realizada com um dinheiro já garantido com o nosso apoio do governo. Ali, quem vem do Rio Bonito, por exemplo, pode entrar lá por fora, sem precisar passar no centro da cidade. Essas ações vão nos ajudar até o anel viário sair, que é outra obra que deve solucionar o nosso problema do fluxo de veículos que passam por aqui para chegar às cidades vizinhas e escoar produções das empresas da região. Isto é uma realidade próxima. A obra já está em fase de licitação”, destaca o prefeito. Além disso, tudo será preparado para suportar o trânsito pesado, o que aumentará a durabilidade da pavimentação e a qualidade das vias.
A opinião de quem trabalha ao volante
Se para quem precisa trafegar apenas para se locomover de casa para o trabalho, por exemplo, é complicado, quem atua diariamente no trânsito sofre constantemente. Os taxistas de Braço do Norte destacam que a falta de respeito, tanto por parte dos motoristas quanto dos pedestres, assusta.
“Nossa cidade é pequena, mas as pessoas têm a cultura de usar o serviço de táxi. Nós que vivemos disso presenciamos coisas inacreditáveis. Alguns motoristas simplesmente ignoram as leis de trânsito e colocam todos em risco. Os próprios pedestres, muitas vezes, atravessam fora da faixa, em locais que há mais este tipo de sinalização do que o necessário”, revela Gisele da Silva Moraes, que trabalha como taxista há cinco anos.
Isaac da Rosa Nazário, taxista há quatro anos, também destaca que o excesso de faixas de segurança em alguns pontos prejudica o fluxo. “Temos locais onde existem tantas faixas de segurança que, quando uma carreta para, acaba ficando em cima de uma. É necessário rever o trânsito na cidade, especialmente a sinalização. E as pessoas precisam respeitar mais”, completa Isaac.
Braço do Norte em números
• Número de ocorrências com lesão
Mesmo período de 2012 a 2013: 193
Mesmo período de 2013 a 2014: 228
• Número total de feridos e mortos desde agosto de 2012: 589 feridos e três mortos
• Número total de acidentes de 2012 até ontem: 964
• Acidentes com feridos de 2012 até ontem: 263
• Feridos somente neste ano: 157
• Número de acidentes na Amurel de 2012 até agora: 8.159
Os problemas que somam no resultado final
O comandante do Batalhão da Polícia Militar de Braço do Norte, tenente-coronel Jorge Luiz, destaca a existência de alguns fatores que dificultam o bom andamento do trânsito na cidade. “Algumas questões de sinalização têm influenciado bastante. Faixas de pedestre colocadas de forma errada e a pintura das faixas amarelas nas esquinas são fatores cruciais para o somatório final. É uma faixa em cima da outra, e isso prejudica porque são pontos onde temos fluxo de caminhões. O trânsito fica engessado. O motorista arranca e tem que parar em seguida. É nesse momento que há risco de colisão, assim como nos cruzamentos, com carros estacionados muito próximos das esquinas que atrapalham a visão e obrigam o motorista a avançar mais do que o normal. É nesse ponto que surgem as ocorrências”, destaca o comandante.
