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Expressões e termos locais são reunidos em livro

“A égua do Alonso”, de autoria de Ramires Sartor Linhares, traz o significado de dois mil verbetes, além de outras informações da cultura regional

Willian Reis
Tubarão

É bem provável que o tubaronense já tenha dito ou ouvido alguma vez na vida a expressão “a égua do Alonso”. Esta é só mais uma entre tantas outras que fazem parte de um vocabulário local próprio, que pode soar até um pouco incompreensível para quem vem de fora. Ou não. Agora, parte dessa vasta lista está reunida em um livro que não só elenca uma série de expressões tipicamente regionais, como trata de apresentar o seu significado, tal qual um dicionário. A obra, que, aliás, recebeu o título “A égua do Alonso e outros termos e expressões de Tubarão e região”, é resultado do trabalho do relações públicas Ramires Sartor Linhares.

Há cerca de dois anos, ele publicou em sua coluna em um jornal local, sem nenhuma pretensão, algumas dessas expressões. Foi quando a repercussão o surpreendeu, outras pessoas mandaram mais sugestões, e Linhares, então, decidiu dar início a uma pesquisa mais aprofundada. O esforço rendeu ao livro dois mil verbetes.

Para conhecer os seus significados, Ramires recorreu à internet, livros e à memória dos mais velhos. Chegou até mesmo a andar com um bloquinho de anotações no bolso para registrar qualquer pérola que lhe caísse nas mãos.

O livro está dividido em quatro capítulos, de modo que o primeiro traz um panorama da história de Tubarão, com base na obra do saudoso historiador Amadio Vettoretti. Há o dicionário com as expressões locais e outro capítulo sobre benzeduras, superstições e as crendices populares. São temas como o velho conselho para nunca se misturar leite com manga, sob a ameaça de sérios prejuízos à saúde de quem se arrisca a devorar polêmica combinação, ou então as rezas que o autor, ainda na infância, ouvia de seu avô, o benzedeiro Antônio Rosendo Linhares.

Mas a obra não poderia terminar sem render homenagem a quem lhe deu o título. Alonso e sua famosa égua são os personagens principais do capítulo final, que traz um dado interessante: ele não só existiu, como morreu há pouco tempo, em 2008. Em conversas com familiares de Alonso, o autor conseguiu, além de traçar o seu perfil, as fotos de uma das éguas mais famosas da cidade.

O animal era sempre levado para participar de corridas, mas nunca foi de dar alegria ao seu dono. Mal largava, alguns galopes depois empacava. Não por acaso, o próprio Alonso sempre apostava em outro cavalo. Daí o significado da expressão: égua do Alonso é alguém que começa, mas nunca termina algo.

 

Lançamento da obra será no Centro Municipal de Cultura
pag 8 retranca
Para que o livro saísse, Linhares contou com o patrocínio de amigos. O lançamento será no próximo dia 20, a partir das 19h30, no Centro Municipal de Cultura, em Tubarão. Aos que acham que estas expressões já sumiram no tempo, o autor discorda. “Ainda tem muita coisa atual que a gente escuta a todo instante”, diz.
Este é o primeiro livro de Linhares a ser lançado, mas o autor tem outras duas obras que podem sair nos próximos meses: um romance, que ainda está à espera de um final, e uma coletânea com algumas de suas colunas, que deve chegar às prateleiras já no ano que vem.

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