A trajetória de Fabricio de Souza nos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC) é, por si só, um capítulo à parte dentro da história do esporte catarinense. Considerado um dos eventos multiesportivos mais tradicionais do país, criado em 1960 com o objetivo de fomentar o esporte de rendimento e revelar talentos, o JASC coleciona personagens que marcaram época — e Fabricio é um deles.
Sua primeira participação aconteceu aos 16 anos de idade, exatamente há 30 anos. Desde então, a presença de seu nome nas listas de competidores tornou-se uma constante. Fabricio participou de praticamente todas as edições realizadas desde sua estreia, ausentando-se apenas nos anos em que os Jogos não aconteceram ou quando se recuperava de uma cirurgia no joelho. Em todas as demais oportunidades, esteve no tatame representando sua cidade, sua equipe e o karatê catarinense.
Ao longo dessas três décadas, Fabricio não apenas competiu: ele venceu. A grande maioria de suas participações resultaram em medalhas — muitas vezes em múltiplas categorias. Competiu em Kata Individual, Kata por Equipes, Kumite Individual e Kumite por Equipes, sempre demonstrando versatilidade e excelência técnica. Em duas edições históricas, conquistou medalhas nas quatro categorias, encerrando cada um desses anos com quatro pódios no mesmo JASC — um feito para poucos.
Em 2025, o simbolismo foi ainda maior. Aos 46 anos, Fabricio voltou ao pódio em grande estilo, agora novamente no Kata por Equipes. Formou equipe com seus alunos, os jovens talentos Erick e Bruno Matias, de 20 e 16 anos, respectivamente — sendo Bruno exatamente da idade que Fabricio tinha quando competiu seu primeiro JASC. São 30 anos separando os dois atletas, o mesmo tempo que Fabricio participa do JASC.
Essa diferença de 30 anos entre Fabricio e Bruno sintetiza, de maneira quase poética, a essência do JASC: tradição, renovação e a convivência harmoniosa entre gerações que constroem o esporte catarinense. A equipe conquistou a medalha de ouro na edição deste ano, reforçando não apenas a qualidade técnica, mas também a força simbólica desse encontro de gerações.
Competindo em alto rendimento aos 46 anos e mantendo-se entre os melhores do estado, Fabricio demonstra que longevidade esportiva não é apenas possível — é inspiradora. Sua história honra o passado, fortalece o presente e abre caminho para o futuro do karatê catarinense.
Mais do que medalhas, sua trajetória representa comprometimento, resiliência, dedicação e amor pelo esporte. Uma história que se confunde com a própria história do JASC e que, certamente, continuará inspirando atletas por muitos anos.
