O trabalho é inerente ao ser humano e compromete grande parte do nosso dia a dia. Por esse motivo, a felicidade no trabalho é fundamental para garantir a felicidade na vida, bem como a saúde e o bem-estar dos profissionais.
Mas a princípio esse pode parecer um conceito utópico.
Para muitas pessoas a associação entre trabalho e felicidade é impossível, ou está atrelada a recompensas materiais, como um aumento salarial ou uma promoção. Claro que a remuneração é importante, porém ela não pode ser o fator preponderante. Aliás, uma pesquisa realizada pela Mercer apontou que salário é o sétimo item em uma listagem de coisas importantes em um emprego. Isto porque, um trabalho que proporcione apenas satisfação material tem a tendência a tornar-se vazio com o passar do tempo. E, isso ocorre justamente porque falta significado. Falta propósito.
Por isso, atualmente, fatores como bem-estar e qualidade de vida são tão requisitados pelos profissionais, quanto bons benefícios, remuneração compatível e estabilidade na carreira. Para se ter uma ideia desse novo cenário, a busca por equilíbrio de vida é o principal foco profissional de 62% dos brasileiros.
Alcançar a satisfação e realização na carreira se tornou uma das principais metas dos profissionais nos últimos anos. Encontrar e seguir um propósito pessoal é visto, atualmente, como algo tão importante quanto uma remuneração atraente. Promessas vagas e discursos rasos são facilmente identificáveis por esse novo perfil que está no mercado. Eles sabem o que querem e o que estão buscando para as suas vidas e, mais importante, estão determinados a conquistar tudo isso.
Assim, empresas que desejam continuar competitivas e captar esses talentos, precisam transformar seus mindsets organizacionais e olhar com atenção para as suas estratégias; e a felicidade precisa ser uma delas
Então a felicidade no trabalho é possível?
Antes de qualquer afirmação, é necessário entender que trata-se de uma questão subjetiva. Ou seja, ser feliz profissionalmente varia de pessoa para pessoa. Mesmo assim, é possível perceber alguns fatores.
Não adianta correr atrás de um ambiente de trabalho perfeito, por que ele não existe. Contratempos, discordâncias, problemas e falhas existem em todos os lugares. Sendo assim, precisamos estar abertos à aprendizagem e a adaptação. As pessoas felizes no trabalho reconhecem os pontos positivos e negativos de cada ambiente, mas sabem apreciar o que lhes agrega valor.
Além disso, é preciso lembrar que a relação empregatícia (feliz) nunca pode ser unilateral. Todos têm sua gama de responsabilidade para alcançar a felicidade no trabalho, pois ela não é individual, mas um construto social.
Da parte do colaborador, precisa haver disponibilidade para enfrentar os obstáculos. É preciso estar aberto a mudanças e desenvolver o desejo de progredir, e isso demanda um processo cauteloso de autoconhecimento.
Já o empregador precisa proporcionar um ambiente de trabalho positivo e seguro, onde exista um sentimento de pertencimento ao local. Afinal, passar a maior parte do dia em um ambiente que gera insatisfação e desmotivação pode ocasionar prejuízos para a saúde psicológica e emocional de uma pessoa. Isso, por sua vez, segundo pesquisa realizada pela Harvard Business Review, pode resultar em: 18% menos produtividade; 37% a mais de absenteísmo; e 49% de aumento nos acidentes de trabalho.
Se o funcionário se sente empoderado, valorizado, vê propósito no serviço que executa e nutre um senso de igualdade dentro da empresa, sua performance será muito maior que o esperado.
Portanto, a felicidade no trabalho é algo possível sim, mas só será alcançada através da colaboração entre todos os indivíduos integrantes do processo de trabalho – tanto os líderes quanto os liderados – cada um fazendo a sua parte em prol de um único e universal objetivo: a felicidade!
