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Fúlvio Aducci, um homem feliz

Nome de rua em várias cidades, poucos catarinenses lembram quem foi Fúlvio Aducci. Neste domingo, ele faria 125 anos de nascimento. Afinal de contas, quem foi realmente Fúlvio Aducci?
Escrevo este artigo, justamente para restabelecer a sua relevante memória. Foi conferente da alfândega de Florianópolis. Posteriormente, formou-se em direito pela Universidade de São Paulo (USP). Iniciou a carreira jurídica como promotor público em Palhoça, transferindo-se, mais tarde, para a capital.

Na política, foi eleito cinco vezes a deputado estadual e três vezes a deputado federal. Foi secretário de estado nos governos de Felipe Schmidt e Adolfo Konder. A paixão pelo direito e pela política juntou a de professor e jornalista. Fúlvio lecionou na Faculdade de Direito de Santa Catarina. Escreveu no Diário da Tarde, jornal onde meu pai, Moacyr Iguatemy da Silveira, foi diretor por duas décadas.
Presente em todas as iniciativas, foi presidente do Instituto dos Advogados de Santa Catarina e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e da Academia Catarinense de Letras, da qual foi fundador.

Eleito em 1930 para o governo do estado, foi deposto antes que concluísse um mês de mandato por ato arbitrário da Revolução de 30 (foto), contra a qual se posicionou, mantendo-se fiel ao presidente Washington Luiz e ao seu candidato, vitorioso nas urnas, Júlio Prestes.
Fiel defensor da legalidade democrática, Fúlvio Aducci comandou a resistência política e militar de Santa Catarina ao avanço das tropas revolucionárias de Getúlio Vargas. Os verdadeiros lances desse episódio histórico foram contados pelos vencedores, como ocorre em todas as guerras e revoluções.

Assim, a resistência catarinense tem sido relatada como inexistente ou de pouca significância. No entanto, Santa Catarina, geográfica, política e militarmente no caminho das tropas gaúchas, dificultou seu avanço rumo a São Paulo e Rio de Janeiro. Houve, sim, renhida resistência armada na região conhecida como Serra da Garganta, no município de Anitápolis, onde, inclusive, existe um marco construído no local dos combates, com placa em homenagem aos combatentes legalistas.
Em Joinville, no dia 9 de outubro, houve enfrentamento com os revolucionários, com um saldo de oito feridos e dois mortos. No centro, tiroteio entre a Força Pública e os revolucionários resultou em mais três soldados mortos.

Em Florianópolis, que chegou a ser bombardeada, houve resistência às forças revolucionárias, que, receosas de enfrentar os navios da Marinha de Guerra, os quais se mantinham fiéis ao presidente eleito, retiveram-se por alguns dias pelo lado do continente.
O escritor irlandês Oscar Wilde, já no fim do século 18, dizia: “Antigamente canonizávamos nossos heróis. O método moderno é vulgarizá-los”. Uma pena que esse método ainda continue tão em voga.

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