
Mirna Graciela
Tubarão
A exemplo de tantas profissões antes desempenhadas somente por homens, a área da segurança pública também era uma delas. A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) comemorou ontem 30 anos da criação da corporação feminina.
Sexo frágil? Neste caso, absolutamente não. A sensibilidade da mulher é essencial em muitas ocasiões. Mas é claro, com uma dose satisfatória de energia física, pois todas passam por rigorosos treinamentos.
Na 8ª Região de Polícia Militar (RPM) de Tubarão, que abrange 19 municípios entre Garopaba e Jaguaruna, atuam 19 mulheres. Na Cidade Azul, são seis. Mesmo que a passos lentos, a probabilidade é de que a participação feminina se torne cada vez maior.
“Isto porque a presença delas hoje é fundamental. Existem tarefas como, por exemplo, a revista em uma mulher, que somente uma policial pode executar”, explica o comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar de Tubarão, tenente-coronel Giovani Silveira do Livramento.
No entanto, os motivos para justificar a importância delas não param por aí. “Algumas ações ficam mais eficazes, como na parte operacional. Elas resolvem muitos conflitos sem precisar usar a força física. É a parte psicológica e o poder de persuasão que entram em cena”, admite Livramento.
Durante uma solenidade realizada ontem no Teatro Pedro Ivo Campos, em Florianópolis, o comandante geral da PMSC, Nazareno Marcineiro, destacou a evolução e humanização significativas que a presença feminina trouxe à corporação, tanto nas relações entre os policiais, como no atendimento à população.
“Quando estou na rua sinto-me útil à comunidade”
Com quase 10 anos de carreira, a policial militar Karina Estevam do Carmo Botega, de 34 anos, é um exemplo de que a mulher realmente ‘não foge à luta’. Ela atua como soldado no 5º Batalhão da Polícia Militar de Tubarão.
Na função de auxiliar de setor pessoal, faz a programação das escalas de serviço. Mas quando é intimada para o policiamento ostensivo ou em operações, o seu espírito aventureiro de proteger a população surge com força total.
“São duas tarefas distintas. Quando estou na rua – no combate direto ao crime -, sinto-me muito útil porque estou a trabalho da comunidade”, observa Karina. Ela sempre gostou da carreira militar, mas reconhece ter sido um pouco influenciada pelo seu pai, que foi policial militar em Tubarão e em outras cidades da região.
A garra do sexo feminino não deixa de estar em suas veias. Como a maioria das mulheres, a jornada dupla prevalece. Com duas filhas, de 7 e 14 anos, o seu próximo passo, agora, é ingressar no curso de Direito.
“Quem realmente gosta da profissão tem que almejar crescer e ocupar postos maiores. E, para isso, tenho que estudar”, planeja a soldado, que faz questão de manter a vaidade praxe das mulheres.
De unhas pintadas, brincos e outros acessórios, Karina prova que uma mulher pode exercer tais funções sem perder a feminilidade. Uma de suas ações mais ousadas foi a prisão de um homem, em Joinville. “O abordei e dei voz de prisão. Ele estava armado. Trabalhei lá por nove meses e aprendi bastante”, orgulha-se Karina.
A evolução da mulher na Polícia Militar
A primeira corporação feminina uniformizada do país foi criada em 1953, em São Paulo. Isto deu origem à efetivação da mulher na carreira militar. Em Santa Catarina, o Pelotão de Polícia Militar Feminina foi criado por lei em 1983 para atuar na questão de adolescentes e mulheres envolvidas em delitos. Em 1989, surgiu a Companhia de Polícia Militar Feminina, extinta em 1998, quando as mulheres passaram a concorrer com os homens nos mesmos postos e graduações.