Todos os historiadores estão enfaticamente entristecidos com o ocorrido no último dia 27 com o professor Amadio Vettoretti. Um homem que até seus 72 anos dedicou a sua vida a pesquisar a história de Tubarão e que, em sua função como diretor do Arquivo Público e Histórico de Tubarão, ajudou muito a contar a história de toda a nossa região. Espero poder registrar aqui minha opinião como leitora de seus livros e ouvinte de suas histórias. Com seus métodos pessoais, às vezes questionado por muitos profissionais da área, conquistou respeito pela grandeza na construção do conhecimento histórico.
Quando eu visitava o Arquivo de Tubarão para pesquisar sobre minha monografia, era recebida pelo professor Amadio, que me levava em sua sala e contava, como um documento vivo, muitos momentos da história de Tubarão e região.
Ao inaugurarmos o Arquivo Público e Histórico de Capivari de Baixo, minha colega Maitê Lemos, jornalista e diretora do APHCB na época, está de prova do quanto este homem veio pessoalmente nos ajudar a criar e dar continuidade a esta instituição e foi fonte de inspiração por muito tempo, para que nós pudéssemos enfrentar desafios relativos ao reconhecimento deste espaço pela sociedade. Certa vez, li um ofício que temos aqui no Arquivo de Capivari de Baixo em que o professor Amadio Vettoretti reclamava que estava há sete anos no Arquivo de Tubarão e ainda não tinha um espaço adequado para colocar os documentos históricos da cidade. Este foi o elemento propulsor de nossa eterna luta para melhoria no espaço de nosso Arquivo Público, já que a instituição que ele representara atualmente é referência estadual.
Ele era um crítico que não tinha “papas na língua” nem medo de se expressar enquanto pesquisador o que o diferenciava da grande maioria dos profissionais desta área. Não vejo possibilidade de concluirmos uma pesquisa histórica sobre Tubarão e seus envoltos sem consultar seus livros e citá-los grandiosamente nas listas referenciais. Seu senso de humor também valeu para a construção de sua imagem na sociedade. Lembro-me que era um insulto pessoal errar a pronúncia de seu nome e das engraçadas histórias que contava sobre sua visita à Itália.
Foi fotógrafo e também foi a fotografia que inspirou sua paixão pela história. Era comum ouvi-lo dizer que veio com um carro Fiat Elba para os escritórios da Companhia Siderúrgica Nacional buscar fotografias e documentos em geral que foram descartados pela empresa após o fechamento da mesma, atualmente fonte documental inesgotável de pesquisa sobre a história de Capivari de Baixo que se encontra no Arquivo de Tubarão. Foi ele que cedeu um jornal da década de 40 para ilustrar o filme “Meu querido Capivari”, que foi lançado neste município em 2010 e nas gravações da filmagem lá estava ele pessoalmente para cuidar daquele documento que havia emprestado para a composição do filme.
Um verdadeiro guerreiro na luta pela história e pelo reconhecimento do profissional historiador. Assim, ele conquistou seu grandioso espaço, conquistou vários amigos que estão muito abalados e uma legião de admiradores que lembrarão sempre com muito carinho e cuidado desta figura tão irônica, destemida, lutadora e profissional que foi o professor Amadio Vettoretti. Fica registrada aqui minha eterna gratidão.
