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Horas e mais horas na fila de espera

Lily Farias
Tubarão

Uma das maiores reclamações de quem depende do Sistema Único de Saúde é a demora para conseguir atendimento com clínicos geral nos postos de saúde. A situação piora quando é preciso agendar um horário com especialistas. Em alguns casos, os pacientes chegam muitas horas antes da distribuição de senhas e até passam a madrugada nas filas.

É o caso da aposentada Zenilde Ambrósio, 63 anos, de Tubarão. Sempre que precisa ir ao médico, tem que sair até cinco horas antes do horário marcado para pegar uma senha. “Já aconteceu de eu passar algumas noites no posto do meu bairro. Isso é ruim, porque dependemos do atendimento deles e não temos o que fazer”, lamenta.

Outro problema comum em várias cidades é a falta de comprometimento dos médicos que atuam nos postos em relação ao horário de atendimento. O motorista Roberto Garcia sabe bem o que é isso. Eventualmente, ele utiliza os serviços públicos e quando precisa sabe que irá esperar um bom tempo para ser atendido.

Na últimas sexta-feira, Roberto foi à Policlínica para solicitar o encaminhamento para um exame. O horário estava marcado para 17 horas. Após meia hora, o profissional ainda nem havia chegado. “Saio de casa no horário em que sei que está agendado porque tenho plena certeza de que não serei atendido na hora”, conta.

O vice-prefeito eleito de Tubarão, Akilson Ruano Machado (PT), considera a situação delicada, entende, como profissional da área da saúde, que é preciso tomar medidas administrativas. “Vai de acordo com a organização do município. Mas tenho certeza de que isso não acontece em todos os postos de saúde”, pondera.

“A solução é aumentar o repasse federal para os municípios”
O vice-prefeito eleito de Tubarão, Akilson Ruano Machado (PT), prefere não se aprofundar no assunto sobre a demora no atendimento pelo SUS porque considera estar muitos anos afastado do sistema público, desde 2005.

“Dá para dizer com certeza de que os problemas são os mesmos. O que muda é que, com a vinda de novas tecnologias, há o aumento da demanda e isso gera gastos para o município”, avalia.

Para Akilson, muitos dos gargalos no setor não são de competência dos governos municipais. A contratação de um especialista, por exemplo, compete ao estado.

“Há um consórcio na Amurel que procura solucionar este problema, que é de cunho financeiro. Os médicos não querem ficar nos postos de saúde porque ganham pouco”, explica.

O médico acredita que a solução é aumentar o repasse federal para os municípios. Atualmente, apenas 15% do orçamento municipal é destinado ao setor. “Há uma medida do governo federal em estudo  para que isso ocorra. Se for posta em prática, vai melhorar o sistema”, acredita.

Para averiguar exatamente a situação, Akilson pretende visitar a secretaria de saúde da prefeitura em breve. “Faz parte do processo de transição. Começamos pela educação. Na próxima semana será a saúde. Daí em diante, poderei dar certeza de como estão as coisas”, adianta o futuro vice-prefeito.
 

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