Início Opinião Inquérito civil sobre mudanças na avaliação

Inquérito civil sobre mudanças na avaliação

Maurício da Silva
Professor, Mestre em Educação

‘Alunos da rede estadual de SC não terão mais exame final e nota média para aprovação será 6’ (Jornal Diário Catarinense, 10/2/2017).

Com o objetivo de ‘apurar a regularidade das alterações’, o Ministério Público de Santa Catarina abriu inquérito civil em Joinville (Jornal A Notícia, 14/7/2017).

De fato, tais ‘alterações’ prejudicam a aprendizagem, sobretudo, das crianças mais pobres – majoritariamente, frequentadoras das escolas públicas – que precisam da Educação de qualidade para superar a situação de pobreza e a dependência do Estado, por que: a) Eliminar o Exame Final significa eliminar oportunidade de estudo, de aprendizado e de possível insight. A ‘Recuperação Paralela’ – mencionada como substituta do Exame Final – é direito consagrado do aluno, desde 1996, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação; b) Diminuir ‘a nota média para aprovação’ significa diminuir exigência e, óbvio, esforços, os quais, somados à escassez de limites e de valores, em casa e na escola, impulsionam a indisciplina que prejudica ainda mais o ensino e a aprendizagem.

As Resoluções N.040/05/07/2016/CEE/SC e N.183/2013/CEE/SC e a Portaria N.189/09/02/2017/SED, que normatizam tais alterações, mantêm a ‘Progressão Automática’- em diversas séries do Ensino Fundamental – também nociva para a aprendizagem, pois: a) Para muitos alunos ‘se não reprova, não estuda’; b) Para as escolas que utilizam apenas a função classificatória da avaliação, ‘se não reprova, não avalia’, o que torna ineficaz a ‘Recuperação Paralela’, já que sequer se identificam as ‘etapas da aprendizagem ainda não vencidas’ a serem retrabalhadas.

Não por acaso, o Secretário de Estado da Educação informou, no ‘Bom-dia, Santa Catarina’ da RBS TV (21/12/2016), que os alunos catarinenses baixaram a pontuação no Pisa (Programa Internacional de Avaliação dos Alunos) entre 2012 e 2015, porque “Eles vieram da Progressão Automática”.

A conquista da qualidade no Ensino inicia pelo caminho inverso do normatizado: Aumento das exigências, da disciplina, dos esforços e das oportunidades de aprendizagem (o que inclui ‘Recuperação Paralela’ eficaz).

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