Início Segurança JBS e BRF, de “campeãs nacionais” a suspeitas de vender carne podre

JBS e BRF, de “campeãs nacionais” a suspeitas de vender carne podre

Fábrica da BRF em Chapecó (SC), um dos alvos da operação Carne Fraca. Além do esquema de corrupção, operação coloca em xeque a qualidade dos produtos

A Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, não só apontou para a existência de um suposto esquema de corrupção entre frigoríficos e fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, como colocou em dúvida a qualidade dos produtos vendidos por duas gigantes brasileiras do setor de carnes: JBS, dona das marcas Friboi Seara e Big Frango, e a BRF, dona da Sadia e Perdigão.

A notícia de que as empresas pagavam propina para vender carnes vencidas ou adulteradas com produtos químicos – o que tanto a JBS quanto a BRF negaram – fez com que as a ções dos frigoríficos despencassem mais de 8% na Bolsa de Valores de São Paulo até o início da tarde desta sexta-feira (17). Além das duas gigantes do setor, outras 29 companhias também são alvo da operação.

Tão logo foi noticiado, o suposto esquema de corrupção para vender carnes podres também despertou a desconfiança dos consumidores: sobrou até para o ator Tony Ramos, garoto-propaganda da Friboi, que se tornou alvo de memes nas redes sociais e se disse supreso com o esquema. Vegetarianos estão sendo felicitados por não comerem carne e, assim, estarem imunes ao esquema de fraude.  Parte dos alimentos adulterados teriam sido fornecidos para alunos da rede pública do Paraná. A investigação também revelou o reembalo de produtos vencidos.

Um império do setor de carnes

Responsável pela marca Friboi, a JBS, da holding J&F, é um império do setor de carnes fundada há 54 anos, com 200 mil funcionários em 350 unidades pelo mundo. Entretanto, seu boom é recente: o grupo só se tornou um grande player no mercado global a partir de 2003, durante o governo do ex-presidente Lula (PT), quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passou a conceder empréstimos pesados e até se tornar seu sócio.

Parte dos recursos que entravam na JBS acabaram sendo usados para adquirir pequenos concorrentes e grandes também. Compraram por exemplo a Swift, a Tasman Group, a Smithfield Beef, a Five Rivers e a Seara. Atualmente, além da produção de carnes (bovina, suína, ovina e de aves), o grupo, controlado pela mesma família que o fundou, possui fábricas de celulose, biodiesel, um banco e uma emissora de televisão, o Canal Rural.

Parte da propina era repassada para políticos

O delegado da Polícia Federal Maurício Moscardi Grillo, coordenador da operação, afirmou que parte da propina paga por donos de frigoríficos a agentes de fiscalização era repassada a partidos políticos. Segundo o delegado, “ficou claro” que o PP e o PMDB eram beneficiados pelo esquema.

“Já foi falado ao longo da investigação de dois partidos que ficavam claro: o PP e o PMDB. Eu não sei se esse pagamento ocorria há mais tempo e não ficou claro para qual político era pago. Mas ficou bem claro que uma parte do dinheiro da corrupção ia para partidos”, afirmou.

O coordenador da operação – a maior já realizada pela Polícia Federal até hoje – não soube precisar o valor da propina paga durante a vigência do esquema, que consistia em pagamentos ilegais a fiscais do Ministério da Pesca e Agricultura em troca da emissão de certificados sanitários que permitiam a produção e venda de carne adulterada.

Fonte: El País Brasil
Foto: Nelson Almeida AFP/ Divulgação/Portal Notisul

 

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