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Jerônimo Francisco Coelho: o lagunense que fundou a imprensa catarinense e entrou para a história de Santa Catarina

Jerônimo Francisco Coelho
FOTO PML Divulgação Notisul

FOTO PML Divulgação Notisul

Tempo de leitura: 6 minutos

Muito antes da imprensa digital e das redes sociais transformarem a forma de consumir informação, um lagunense mudou a história da comunicação em Santa Catarina. Nascido em Laguna em 30 de setembro de 1806, Jerônimo Francisco Coelho foi responsável pela criação do primeiro jornal da então Província de Santa Catarina, tornando-se uma das figuras mais importantes da política e do jornalismo catarinense no século XIX.

Neste 28 de julho, data em que se celebra o Dia da Imprensa Catarinense, a trajetória do patrono do jornalismo no estado ganha ainda mais significado. A homenagem integra a programação dos 350 anos de Laguna, cidade onde ele nasceu e que preserva parte importante de seu legado.

O homem que deu origem à imprensa catarinense

Foi em 28 de julho de 1831 que Jerônimo Francisco Coelho colocou em funcionamento um prelo — equipamento manual de impressão gráfica — e publicou a primeira edição do jornal O Catharinense, o primeiro periódico editado em Santa Catarina.

O lançamento ocorreu em Desterro, atual Florianópolis, poucos meses após a abdicação de Dom Pedro I, em um período de intensa efervescência política no país.

No ano seguinte, Jerônimo ainda fundaria O Expositor, ampliando a presença da imprensa na então província.

A prensa utilizada para imprimir O Catharinense está preservada no Museu Anita Garibaldi, em Laguna, tornando-se um dos símbolos da história da comunicação catarinense.

Uma trajetória além do jornalismo

A contribuição de Jerônimo Francisco Coelho vai muito além da fundação da imprensa estadual.

Militar, jornalista e político, foi deputado provincial por seis legislaturas entre 1835 e 1847, presidiu as províncias do Grão-Pará e do Rio Grande do Sul e ocupou simultaneamente os cargos de ministro da Marinha e ministro da Guerra durante o Império, no governo de Dom Pedro II.

Também atuou como conselheiro imperial e participou das negociações que contribuíram para o fim da Revolução Farroupilha.

Em 1846, esteve à frente da demarcação das terras da futura Colônia Dona Francisca, origem da atual cidade de Joinville, além de parte do território de Araquari.

Reconhecido pelo historiador Oswaldo Rodrigues Cabral como o mais destacado político catarinense do século XIX, Jerônimo Francisco Coelho morreu em 16 de janeiro de 1860, em Nova Friburgo (RJ).

Laguna homenageia o patrono da imprensa

Todos os anos, o Dia da Imprensa Catarinense é celebrado em Laguna, cidade natal de Jerônimo Francisco Coelho.

A cerimônia ocorre na Praça Jerônimo Coelho, onde está localizado o busto em homenagem ao patrono. Neste ano, o evento integra a programação oficial dos 350 anos de Laguna e está marcado para as 10h desta segunda-feira (28).

Jornalistas destacam o legado deixado por Jerônimo Coelho

Para o jornalista Márcio Carneiro, que acumula cinco décadas de atuação na imprensa lagunense, o legado de Jerônimo permanece atual por reforçar o papel histórico do jornalismo.

“Em cinco décadas de jornalismo aprendi que o jornal é muito mais do que um veículo de notícias. Ele é um guardião da memória da cidade. Todos os dias registramos fatos que, com o passar do tempo, deixam de ser apenas notícias e passam a fazer parte da história de Laguna. Muitos dos acontecimentos que hoje lembramos só permanecem vivos porque foram registrados pelos jornais. Nos 350 anos de Laguna, acredito que a imprensa continua tendo a mesma missão: informar com responsabilidade, preservar a verdade dos fatos e deixar para as futuras gerações um retrato fiel do nosso tempo.”

O jornalista André Luiz também ressalta a importância histórica do patrono da imprensa catarinense.

“Jerônimo Coelho é motivo de orgulho para Santa Catarina e, sobretudo, para Laguna, cidade onde nasceu e iniciou uma trajetória que marcou a história da comunicação. Seu pioneirismo fez dele uma referência do jornalismo para nós até hoje, deixando um legado que vai muito além da imprensa: sua atuação se confunde com a defesa da liberdade de expressão, da informação e da construção do pensamento crítico.”

Um legado que atravessa quase dois séculos

Passados 195 anos da criação de O Catharinense, a contribuição de Jerônimo Francisco Coelho continua presente na história da comunicação catarinense.

Ao fundar o primeiro jornal do estado, o lagunense abriu caminho para o desenvolvimento da imprensa em Santa Catarina e consolidou um legado que permanece vivo não apenas nos jornais, rádios, televisões e portais de notícias, mas também na preservação da memória coletiva.

Em um momento em que Laguna celebra seus 350 anos de fundação, recordar a trajetória de Jerônimo Francisco Coelho é também reconhecer a importância da informação, da liberdade de expressão e do jornalismo como parte da identidade da cidade e de Santa Catarina.

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