Kalil de Oliveira
Tubarão
Por que esperar mais dois anos para a Copa do Mundo da Rússia se já é possível curtir todas as emoções ao alcance de um controle? Cada vez mais realistas, os jogos de futebol pelo videogame são o motivo de encontros de fim de semana de um grupo de amigos há 14 anos.
Gilliard Mateus da Silva, 35 anos, balconista em uma loja de games no bairro Santo Antônio de Pádua, em Tubarão, conta que a brincadeira começou nos tempos de colégio. “É muito divertido. Você vê os caras jogando ao lado dos filhos, já barbados, e todo mundo dando muita risada. Claro, tem quem leve bastante a sério, mas no fundo é uma grande brincadeira, de ficar entre amigos”, revela.
O grupo aguarda com ansiedade o lançamento da versão 2017 do Pro Evolution Soccer (PES), previsto para setembro. No fim do ano, provavelmente em novembro, os amigos convidam outros ‘fanáticos’ pelas redes sociais para um torneio regional, com a participação de pessoas de Braço do Norte, Laguna, Capivari de Baixo e até de Criciúma, que já existe há oito anos. Na última edição, após mais de 12 horas de jogo, em um domingo, o campeão levou um Plastation 3.
“A vantagem é que não precisa ter juiz, nem nada. O próprio jogo tem suas regras. Mesmo assim, com a empolgação, o pessoal reclama. Faz parte do jogo”, brinca Gilliard. “A gente abre com no mínimo 36 participantes, mas já houve competição com mais de 50 jogadores”, ressalta.
“É preciso ter um limite”
O pintor automotivo Alexandre Beluco Madeira, 23 anos, passa a semana pensando nas estratégias que pode aplicar nos seus treinos com o videogame. “Trabalho bastante todos os dias e, na maioria das vezes, preciso fazer hora extra. Mas nos fins de semana jogo bastante, entre quatro e cinco horas por dia”, diz.
Alexandre conta que descobriu a diversão eletrônica quando tinha 7 anos. “Meu amigo tinha um videogame e me convidou para jogar. Aí gostei e jogo até hoje”, revela o jovem, que mora com a mãe na Estrada Geral da Guarda, no bairro Km 60, na Cidade Azul. “Quando jogo esqueço todos os problemas e me divirto muito”, descreve.
Para o professor Ambrósio Herdt, de Rio Fortuna, o alerta sobre jogos virtuais para crianças serve também para os adultos. “É preciso ter um limite. Os jogos virtuais podem auxiliar na coordenação psicomotora, mas o excesso de sua prática torna a pessoa dependente, alienada, insensível e despreocupada com os problemas do dia a dia”, orienta.
Publicitário joga para relaxar
Aos 36 anos, o publicitário Daniel Antonio de Souza, de Imbituba, é outro apaixonado, desde a geração Atari, quando tinha 7 anos. “Minha mãe deu meu primeiro videogame. De lá para cá passei por todas as gerações”, destaca. Ele confessa que já foi muito mais fanático. Atualmente, divide o tempo livre com a academia, leitura e programas de televisão, e deixa a brincadeira para os fins de semana. “Durante a semana é raro eu jogar. Aquela fase viciante de ficar 16 horas seguidas já passou”, admite. Para Daniel, os games até auxiliam profissionalmente. “Hoje, grande parte dos jogos são produtos de marketing, principalmente os de esporte”, enfatiza.
“Os games trouxeram para a minha profissão os detalhes e a captura por elementos gráficos, dando ao meu olhar um refinamento sobre as artes que crio. Pelo lado pessoal, a prática de jogos me deixou com reflexos rápidos e capacidade de reação mais aguçada, principalmente no trânsito, onde reflexo e tempo de reação são muito importantes em caso de uma manobra de emergência”, defende.
Quando a brincadeira vale milhões
Uma nova elite chama a atenção dos admiradores de games. São os atletas de “e-sports”, uma variação da palavra videogame. Eles chegam a ganhar R$ 28 mil por mês e trabalham em equipes. Nos torneios internacionais, o prêmio é de US$ 1 milhão. Os jogos rodam em computadores, sendo que a maioria é adepta do League of Legends, o LoL, com plateias que lotam ginásios. Outros ganham a vida na Internet, gravando vídeos pagos ou patrocinados, para fãs através do YouTube.
Para Gilliard Mateus da Silva, viver dos gamers (jogadores de e-sports) em Tubarão tem ficado mais difícil nos últimos anos. “No início, existia o aluguel dos jogos que eram em cartucho. Hoje, qualquer site ensina a piratear, infelizmente”, lamenta. Em casas especializadas de jogos, cada hora para o Playstation custa em torno de R$ 6,00.
Pokémon Go é o novo fenômeno nos games
Entre os mais baixados em celulares na última semana e que promete virar atração no Brasil, o Pokémon Go tem causado polêmica por onde passa. Ele mistura jogo e realidade. Obriga ao jogador vagar pelas ruas com o aparelho celular à “caça” dos monstrinhos, que se revelam apenas pela lente da câmera do celular. Apesar da vida curta, alguns casos já ficaram famosos, como o de uma jovem que encontrou um corpo à beira de um lago nos Estados Unidos enquanto seguia em busca de um Pokémon, e de dois jovens que quase foram presos quando jogavam durante a madrugada em uma praça deserta.
