Início Segurança Jovem confessa crime e não se arrepende

Jovem confessa crime e não se arrepende

O adolescente foi apreendido em casa, na presença dos pais, após o cumprimento de mandado  -  Foto:DIC de Laguna/Divulgação/Notisul
O adolescente foi apreendido em casa, na presença dos pais, após o cumprimento de mandado - Foto:DIC de Laguna/Divulgação/Notisul

Silvana Lucas
Laguna

A cada dia, os brasileiros acompanham estarrecidos o aumento da criminalidade no país. Quando se imagina que se atingiu o limite, outro caso ainda mais assustador surpreende. A crueldade e o descaso com a vida ainda são piores quando o crime é praticado por um adolescente.

Esta é a realidade do assassinato do tubaronense Vinícius Zanetta, de 16 anos, morto no início do mês na Praia da Galheta, em Laguna, por outro jovem, de 17 anos, da mesma cidade, que confessou a autoria. Após ser interrogado, ele foi encaminhado para o Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório (Casep) do município. Local onde permanecerá até a realização de uma audiência.

Nesta sexta-feira, às 6 horas, equipes da Polícia Civil de Laguna e Tubarão chegaram à residência do adolescente com um mandado de apreensão contra o jovem. No imóvel, localizado no bairro Andrino, foram apreendidos um celular e um facão.

“Quando o encontramos em casa, ele deu risada, contou com detalhes como matou a vítima e disse que somente se arrependeu por ter matado porque a namorada não valia nada”, informou o delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC), Rubem Thomé Filho, responsável pela investigação.

O delegado destaca que a motivação do crime teria sido por ciúmes, uma vez que a vítima teria se envolvido em um relacionamento amoroso com a companheira do autor, com quem possui um filho de 3 meses. “Durante o interrogatório, ele frisou que atingiu sozinho a vítima, com um facão e uma adaga. Objetos e situações que são investigados, como o paradeiro dos demais envolvidos”.

O homicídio
O corpo de Vinícius foi encontrado por volta das 11h30min do dia 4, depois que um boletim de ocorrência foi registrado por um amigo seu, que relatou que ambos foram sequestrados por três rapazes, agredidos e ameaçados de morte, até serem levados à praia. O sobrevivente relatou que os criminosos os encontraram próximo à Catedral de Tubarão, por volta das 19 horas de quarta-feira. Já na Galheta, ele conseguiu fugir e correu até uma residência, onde pediu socorro. Mas o amigo foi levado até a areia e não conseguiu escapar.

A violência
O autor, em depoimento, contou que estava em companhia de mais dois adolescentes quando sequestraram a vítima. Um amigo do Vinícius que estava com ele também veio ao encontro, após chamá-lo para um conversa. Sob ameaças, eles entraram no Gol e o grupo seguiu até a praia, onde seriam mortos após escurecer. Ele ainda afirmou que, caso a vítima não entrasse no carro, ele teria matado ali mesmo, em frente à igreja. Já na beira mar, no momento em que as agressões contra a vítima iniciaram, o amigo, desesperado, conseguiu fugir e pedir socorro em uma residência. Com o sumiço do rapaz, os golpes cessaram para que o trio tentasse resgatar o que conseguiu escapar.

Depois do assassinato
Depois do crime, o autor se apropriou do celular da vítima e passou mensagens para a companheira, com imagens de como ficou Vinícius, punido pela traição. Dias depois continuou mandando mensagens ameaçadoras para ela e seus familiares. Enquanto isto, a polícia identificou os dois adolescentes envolvidos de Tubarão e os procurou. Os jovens permaneceram escondidos e somente nesta sexta-feira o autor foi apreendido. “O terceiro também é um adolescente e provavelmente é de Criciúma. Ele que trouxe o carro usado no crime, furtado antes para ser vendido na região”, completa o delegado.

Dias anteriores ao homicídio
Uma semana antes da morte de Vinícius, policiais da DIC descobriram que o autor confesso participou de um assalto em Laguna, onde ele e outros levaram uma caminhonete S10 de um morador da Praia de Ipuã e seguiram para Imbituba. Na Cidade Portuária, eles foram pegos pela Polícia Militar e encaminhados para a delegacia, onde aguardaram uma vaga em um Casep. Como não surgiu vaga, o grupo foi liberado. Neste período onde o adolescente ficou afastado de Tubarão, ele alega que a ex-companheira aproveitou para se aproximar de Vinícius.

Menores infratores
No Brasil, o termo “menores infratores”, de origem jurídica, é usado para os adolescentes que praticaram crimes, que são chamados de infrações ou atos infracionais. As penalidades, neste caso, são denominadas medidas socioeducativas. Pelas contas do Conselho Nacional de Justiça, divulgadas no primeiro semestre do ano passado, cerca de 70 mil adolescentes cumprem medidas socioeducativas em todo o país.

Sair da versão mobile