Nesta terra dos casos e ocasos raros, como dizia “o bruxo” Amaro Seixas Neto, deparei com um livro no carro do amigo e compadre Genovêncio Bittencourt. De cara, reconheci o traço inconfundível de Willy Zumblick na ilustração da capa – uma caricatura do autor de Aventuras de Um Advogado do Interior (Unisul,2015), o advogado Guilherme Zumblick Aguiar.
Curiosa, fui folheando ligeira e quase mergulhando na sua leitura, esquecendo-me que estava de carona. Não poderia me permitir tamanha indelicadeza. Confesso que, naqueles breves minutos, encantei-me com a escrita alegre do Dr. Guilherme. Tão logo cheguei à praia da Jaguaruna, consegui um exemplar e, aí sim, mergulhei com tudo na sua leitura, tendo por testemunha aquele marzão verde da “Jagua” de doer à vista, com suas ondas gigantes de alva renda a bailarem a coreografia do ir e vir sem conta.
Aventuras de Um Advogado do Interior, coletânea de crônicas de ótima qualidade e urdidas com surpreendente humor e picardia na aventura de narrar o seu cotidiano de advogado em Tubarão, finaliza com alguns projetos de inclusão social e de sustentabilidade que gostaria de ver implantados na “nossa” Cidade Azul.
O autor manuseia com talento a arte de pintar mundos com palavras numa escrita leve, vibrante no detalhar o cenário ou dar ritmo à deliciosa prosa, seja a falar de mundividências, seja no conduzir enredos por caminhos que poderiam ser áridos e insípidos. Nada disso. No ambiente sisudo de uma audiência, no embate com colegas advogados, no brilho da defesa do “cidadão cliente”, na minuciosa busca de jurisprudência para fundamentar o argumento jurídico o “narrador-autor” seduz o leitor com uma expressiva e divertida cumplicidade na irreverente fabulação, como nas impagáveis crônicas: “Saída estratégica pela janela” (p.41), “O picareta sempre se revela”(p.111) e “ Não quero mais brincar”(p.157).
Uma escrita inteligente, contundente e de grande lucidez quanto a tudo em que acredita, defende e compartilha. Por vezes, num tom de rebeldia, numa sutil ironia. Protagoniza polêmicas. Provoca-nos. Outras, Guilherme Aguiar, o “Meme”, exala sensibilidade ao reverenciar amigos e familiares na saudade da perda, no exemplo, na amizade, na gratidão inconteste. Comove-nos.
São textos de um humor inesgotável, ricos na informação e refinados no trato da linguagem clara, ágil no fluir, dando movimento à sua escrita escorreita. Crônicas que falam de personagens de verdade, fatos corriqueiros da faina de um jovem advogado que poderiam passar despercebidos, mas que o autor realça em sua narrativa contagiante, contribuindo para o estudo da vida da cidade de Tubarão no passado recente e no presente. Tudo a seu jeito.
Sim, Guilherme Zumblick Aguiar tem estilo. Afinal, não é pra menos. Vale lembrar que junto a verve do bom contador de histórias está um DNA de respeito – o avô escritor Walter Zumblick e o avô pioneiro da imprensa tubaronense, Manuel Aguiar.