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Laços humanos minados! Você concorda?

O ano é 2014: crianças que mal deixaram as fraldas espreguiçam os miúdos dedinhos na tela “touch” de um celular ou “tablet”; aos 5 anos, amontoam-se com os irmãos mais velhos para produzirem uma “selfie”; aos 10, a escola é um tédio, porque faltam telas coloridas e animação; a adolescência é marcada pela popularidade virtual – quem tem mais “likes” é o “dono do pedaço”; os pais não sabem o que fazer e o castigo ideal é sempre “tirar o computador ou videogame”; os professores sofrem com as “caras de sono”, às 8 horas, e as “caras de pau” daqueles que tentam burlar a regra escolar sobre a proibição do uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula. Essa é parte da nossa realidade: uma realidade que, de certa forma, preocupa-nos.

Os jovens de hoje, com algumas exceções, é claro, não leem mais obras da literatura clássica ou moderna; brasileira, portuguesa ou estrangeira; tampouco leem revistas semanais ou jornais diários. Quando muito, atrevem-se a ler manchetes ou debruçam-se sobre o mundo ilusório de novelas, filmes e seriados; isso sem falar naqueles que até se aventuram pelo mundo das letras, mas não compreendem nem as linhas, nem as entrelinhas. O diálogo também perde espaço para o teclado, mas a vida não era para ser sempre a arte do encontro, como disse Vinícius de Moraes?

Mas que encontro? Que conversa? O riso é sempre vazio – kkk – a boca não existe, a face não se vê e os olhos não brilham. Os laços humanos transformam-se em “links”, e é aqui que vale a pena relembrar o que Zigmund Bauman – autor de vários livros sobre relações sociais na contemporaneidade – apresenta sobre comunidade e rede. Para o filósofo, a comunidade precede você. Você nasce em uma comunidade. Por outro lado, a rede é mantida pelas ações de conectar e desconectar.

Assim, não é difícil imaginar que a comunidade “anda esquecida” e vivemos em rede, onde é muito fácil tanto conectar-se aos “amigos”, quanto desconectar-se deles. Se temos 500 amigos no “Facebook”, por exemplo, ficar com 499, hoje, não fará diferença, porque amanhã poderemos ter 501, e assim por diante. E isso mina os laços humanos!

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