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Leite: Preços começam a subir

O casal Luiz Carlos Melato e Ruzedeli Souza, de Tubarão, já contabilizam o quanto terão que desembolsar a mais por conta do aumento do leite.
O casal Luiz Carlos Melato e Ruzedeli Souza, de Tubarão, já contabilizam o quanto terão que desembolsar a mais por conta do aumento do leite.

Zahyra Mattar
Tubarão

A entressafra começou mais cedo este ano e um dos reflexos é o aumento dos preços dos produtos nos supermercados. Um exemplo é o leite. Em fevereiro, o produto era encontrado, na região, por R$ 1,29, em média. Na época, houve uma queda de 18% do valor do litro.

Já no mês passado, a previsão do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Derivados de Santa Catarina (Sindileite) já era de aumento de até 30% nos preços ao consumidor neste período. E a previsão foi certeira. Tanto que, em março, houve aumento gradativo do produto nas prateleiras dos supermercados e o litro do leite chegou a R$ 1,59 na Amurel.

Agora, com a entressafra, o preço está ainda mais “salgado” para o consumidor. Exceto nas promoções das grandes redes supermercadistas, o litro de leite dificilmente é encontrado por menos de R$ 2,00. Em aspectos gerais, o preço para o consumidor está, em média, até cinco vezes maior do que o pago para o produtor.
“É um aumento natural na entressafra. A partir de agosto ou setembro, quando as propriedades voltam a produzir em maior quantidade, o preço volta ao patamar encontrado no começo deste ano”, explica o presidente do Sindileite e do Conselho Paritário Produtores/Indústria de Leite (Consleite), Arley Felipe.

Preço para o consumidor

A previsão é de um aumento ainda maior até julho, antecipa o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Derivados de Santa Catarina (Sindileite) e do Conselho Paritário Produtores/Indústria de Leite (Consleite), Arley Felipe. Especialmente se a referência for com o preço mínimo pago ao produtor no mesmo período do ano passado.

Em março de 2009, o valor do litro de leite, pago pela indústria ao produtor, foi o melhor dos últimos cinco anos e chegou a R$ 0,77. Em geral, nos mercados, os preços subiram cinco vezes mais do que os valores pagos ao produtor. No Vale do Braço do Norte, região destaque na produção de leite e derivados na Amurel, o custo fixo da produção gira entre R$ 0,50 e R$ 0,60. Já o valor pago ao produtor, é de R$ 0,60 a R$ 0,70.

“No Brasil, é muito difícil ser produtor de leite. Não é como na Argentina, por exemplo, onde as menores propriedades tiram, no mínimo, 2,5 mil litros de leite por dia. Aqui no Vale do Braço do Norte, são poucas as propriedades que tiram mil litros por dia. A maioria é pequeno produtor, gera dez litros por dia e olhe lá. Na verdade, somos amadores na produção de leite. Mas vamos chegar lá”, valoriza Arley.
E os indicadores do último trimestre apontam justamente para isso. A produção de Santa Catarina aumentou o dobro da média brasileira e elevou o estado ao quinto lugar entre os maiores produtores nacionais.

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