Jailson Vieira
Tubarão
Não é de hoje que a luz amarela está acesa nas universidades públicas, privadas e comunitárias no Brasil. Na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), a situação não é diferente. Nos últimos meses, a direção da instituição de ensino afirmou que diversas medidas têm sido tomadas, como reavaliação de contratos, por exemplo.
São cogitadas também outras ações, como cortes de custos com pessoal (redução de número de funcionários ou diminuição de percentual de carga horária de alguns servidores).
Há alguns meses as tratativas são negociadas com o Sindicato dos Professores e Auxiliares de Administração Escolar de Tubarão (Sinpaaet).
No entanto, representantes do sindicato afirmam que as medidas anunciadas não são o caminho. Segundo eles, a instituição de ensino está em situação difícil, porém, ela é viável e seu maior patrimônio são os alunos, professores e corpo funcional. “Algumas ações precisam ser tomadas, como a divulgação da relação de jornada e salários de todos os servidores. A redução não resolve o problema, vimos como um paliativo”, explica o professor doutor Valdir Luiz Schwengber.
Eles argumentam que anteriormente a instituição já havia passado por algumas reformas, como redução do quadro de funcionários. Onde antes havia quatro servidores, hoje são dois. “Com poucos servidores, os trabalhos ficam muitas vezes inviabilizados, e ações que poderiam ser solucionadas em poucos dias demoram. Além disso, reduzir a carga horária dos funcionários tornaria difícil muitos pagarem as suas mensalidades, uma vez que alguns estudantes também são funcionários da instituição”, observa o professor doutor Agostinho Schneiders.
De acordo com o reitor da Unisul, Mauri Luiz Heerdt, a instituição prosseguirá avançando com novas medidas para reequilibrar seu orçamento. “Garantimos a excelência nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, além do pagamento dos salários e benefícios aos professores e colaboradores, com vistas a preservar, sobretudo, o acesso, a inclusão social e a formação qualificada dos estudantes, fundamentos de uma universidade comunitária”, afirma.
Renegociações são realizadas pela direção
A universidade tem 77 polos em todo o Brasil, com três campi e seis unidades universitárias integrando as modalidades desde educação infantil aos programas de doutorado. São 27 mil alunos no total, 22 mil só na graduação. Conforme o reitor, a atuação na redução de custos iniciou desde o primeiro dia da nova gestão, em janeiro passado. “Nela entra a renegociação de todos os contratos. De fato, estamos fazendo um ‘pente fino’ em tudo isso que implica em custos operacionais”, assegura.
Diante da instabilidade da macroeconomia e da restrição orçamentária, a universidade orienta todas as áreas e implementa ações para atenuar os efeitos de cada desafio, otimizando recursos e ampliando oportunidades. “Seguimos em diálogo permanente com os nossos colaboradores, vencendo todos os obstáculos, em especial, aprendendo com o ontem, fazendo o hoje e trabalhando para construir a Unisul do amanhã, com otimismo, transparência e confiança absoluta no futuro”, destaca o reitor.
Para os sindicalistas, as ações são louváveis. No entanto, em suas avaliações são necessárias informações mais completas. “Precisamos saber mais sobre as estruturas, aluguéis. Todos nós queremos uma Unisul forte e competitiva. Além disso, há estruturas que se sobrepõem e aumentam o custeio da universidade, como a Fundação Unisul. É necessário que sejam revistas gratificações como a Unisul Prev”, defende o professor doutor Valdir Luiz Schwengber.
Os representantes do Simpaeet alertam que, se algumas medidas forem muito complexas (diminuição do quadro funcional, por exemplo), poderá haver redução da atividade econômica do município, com reflexo imediato no comércio. “Dessa forma, pedimos atenção da CDL e Acit”, comenta o professor doutor Agostinho Schneiders.
