Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que ele teria trocado contatos com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no dia 17 de novembro de 2025, horas antes de ser preso pela Polícia Federal.
Os diálogos foram divulgados em reportagem publicada nesta sexta-feira (6) no blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo a publicação, os registros foram encontrados em prints de mensagens enviadas por WhatsApp.
O conteúdo mostra Vorcaro mencionando negociações relacionadas ao Banco Master e possíveis desdobramentos de investigações.
Mensagens enviadas horas antes da prisão
De acordo com a reportagem, às 7h19 da manhã, Vorcaro teria enviado uma mensagem a Moraes comentando negociações com investidores e mencionando possíveis vazamentos de informações.
No texto, ele afirma que tentava antecipar acordos com investidores e que uma parte da operação poderia ser anunciada naquele mesmo dia.
Ainda segundo a publicação, o ministro respondeu cerca de uma hora depois, às 8h16, mas o conteúdo da resposta não pode ser visualizado porque a troca teria sido feita com mensagens de visualização única, que desaparecem após a leitura.
Ao longo do dia, Vorcaro enviou novas mensagens ao ministro relatando tentativas de “salvar” a transação e perguntando se havia novidades sobre a situação.
Também nesse caso, as respostas atribuídas a Moraes não puderam ser recuperadas por terem sido enviadas no mesmo formato.
Venda do Banco Master foi anunciada no mesmo dia
Na noite de 17 de novembro de 2025, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Banco Master, movimento que coincide com as negociações citadas por Vorcaro nas mensagens.
A operação, no entanto, não se concretizou. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.
Meses depois, em fevereiro de 2026, a Fictor entrou com pedido de recuperação judicial.
Ainda na noite de 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, sob suspeita de tentar deixar o país em um avião particular com destino a Malta.
Conversas também citam possível encontro
O nome de Alexandre de Moraes também aparece em mensagens trocadas entre Vorcaro e sua então companheira, a blogueira Martha Graeff.
Segundo material obtido pela Polícia Federal após quebra de sigilo telemático do empresário, Vorcaro teria mencionado um encontro com o ministro em abril de 2025, em Campos.
Em outra conversa, durante uma chamada de vídeo, a companheira perguntou quem era a pessoa com quem ele havia falado antes. Vorcaro respondeu que se tratava de “Alexandre Moraes”, de acordo com o material citado pela reportagem.
Posição do STF e da defesa
Após a divulgação dos primeiros diálogos pela imprensa, o Supremo Tribunal Federal informou, por meio de nota divulgada na quinta-feira (5), que o ministro Alexandre de Moraes não recebeu as mensagens.
O comunicado afirmou ainda que a informação seria uma “ilação mentirosa” usada para atacar o tribunal.
Já a defesa de Daniel Vorcaro declarou que não teve acesso completo ao material extraído dos celulares e criticou o vazamento das informações.
Segundo os advogados, o espelhamento dos dados foi entregue à defesa apenas em 3 de março de 2026, em um HD que foi lacrado na presença de autoridades e de um tabelião para preservar o sigilo.
A defesa também afirmou que algumas conversas divulgadas podem ter sido editadas ou retiradas de contexto antes de chegar à imprensa.
Pedido de investigação sobre vazamento
Diante da divulgação das mensagens, os advogados do banqueiro informaram que solicitaram ao STF a abertura de um inquérito para investigar a origem do vazamento.
O pedido inclui a solicitação para que a Polícia Federal apresente a lista de todas as pessoas que tiveram acesso aos dados extraídos dos aparelhos apreendidos.
Segundo a defesa, o objetivo não é investigar jornalistas, mas identificar eventuais responsáveis pela quebra de sigilo funcional.
Crise envolvendo o Banco Master
A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, ocorreu após meses de preocupação no mercado financeiro com a situação da instituição.
O banco era apontado como exposto a operações consideradas arriscadas e com alto custo de captação, oferecendo investimentos com taxas acima do padrão do mercado.
Entre os produtos ofertados estavam CDBs com remunerações elevadas, o que aumentou o alerta entre reguladores e investidores.
Tentativas de venda da instituição, incluindo negociações com o Banco de Brasília (BRB), não avançaram devido a questionamentos de órgãos de controle, problemas de transparência e menções ao banco em investigações.
