Produtores de Tubarão e região utilizam semanalmente o espaço para a comercialização de alimentos e artesanatos. Local deve receber reforma e regularização.
Lysiê Santos
Tubarão
Todas as terças e sextas-feiras, há mais de 27 anos os produtores Jorge João Del Fino e Salete Fernandes Del Fino acordam cedinho, organizam as verduras e frutas colhidas da própria lavoura na comunidade de Lageado, em Treze de Maio, separam o mel, o melado e todos os produtos fresquinhos para levar ao Mercado do Produtor.
O ponto comercial no bairro Oficinas, em Tubarão, reúne dezenas de produtores não só da Cidade Azul e Treze de Maio, mas de diversos municípios vizinhos desde 1985, quando foi fundado. Lá, encontram-se opções de frutas, verduras, carnes, pães, bolos, bolachas caseiras, laticínios, mel, vinhos, ovos, artesanatos, e diversos produtos provenientes da agricultura familiar.
O espaço também reúne tradições, cultura, amizades, e há mais de 30 anos tem garantido a renda de centenas de famílias que dependem do local para escoamento da produção. “Necessitamos desse espaço para vender os nossos produtos. Desde 1990, conseguimos um box e toda a semana trazemos os frutos não só da nossa lavoura, mas de outras famílias que também dependem do local para a comercialização”, conta dona Salete, que ao lado do esposo e dos filhos esforça-se para oferecer material de qualidade, sem agrotóxicos e cumprir as exigências dos órgãos regulamentadores.
Fiscalizações e exigências alteram exposição
Kenedi Zapelini, toda semana também expõe sua produção cultivada no sítio da família em Orleans. Ao lado da esposa, ele dá continuidade ao trabalho do pai, Hilário Zapelini, que conquistou o espaço há 30 anos, no Mercado do Produtor de Tubarão. Com o passar do tempo, a Vigilância Sanitária aumentou as exigências para exposição.
Além da documentação necessária, como o alvará sanitário e o Selo de Inspeção Municipal (SIM), os produtos precisam apresentar rótulos com a procedência e estar em embalagens plásticas. “Concordamos que os produtos devem ser inspecionados e atender exigências de qualidade, mas infelizmente estamos perdendo nossa identidade de feira rural. As pessoas querem olhar os ovos e escolher quais levar como antigamente e não pegar uma embalagem plástica fechada. Estamos nos transformando em mercados e esse não seria o objetivo”, analisa o casal.
O produtor Jorge Delfino relata que nas grandes metrópoles as feiras são abertas e os produtos ficam expostos ao ar livre, e essas características atraem os consumidores que procuram por alimentos diferenciados dos oferecidos nos supermercados. “Nas feiras de São Paulo e de outros países, o feijão, por exemplo, fica em grandes sacas, onde o comerciante retira a quantidade que o consumidor quer. Aqui, temos que colocar tudo em sacolas fechadas”, lamenta.
Mercado do Produtor foi alvo de operação policial
A Vigilância Sanitária de Tubarão apreendeu, há poucas semanas, cerca de 670 quilos de alimentos no Mercado do Produtor. Queijos, carnes suínas, bovinas e pescados, além de 24 dúzias de ovos, 27 quilos de banha, aipim, torresmo, mel e salgados prontos congelados estavam armazenados de forma inadequada, fora da faixa de temperatura obrigatória, sem identificação, sem procedência comprovada e, principalmente, os de origem animal, não possuíam selo de inspeção (S.I.M, S.I.E ou S.I.F).
A ação foi movida pelo Ministério Público, em conjunto com a Cidasc, Polícia Civil e Polícia Militar, que receberam denúncias das irregularidades. Todos os produtos apreendidos foram descartados pela Vigilância. “Houve 12 denúncias ao Ministério Público sobre comércio de produtos de origem animal sem procedência. Nessas situações, acionamos a Polícia Civil. No dia, fomos em todos os boxes verificar a documentação e encontramos um homem comercializando sem refrigeração no próprio carro. A operação continuará nos estabelecimentos denunciados”, explica.
A fiscalização causou certo constrangimento aos produtores locais que lutam para manter suas rendas por meio da feira. “Concordamos em nos adequar às exigências, mas quando vimos a polícia aqui ficamos assustados. Esforçamo-nos para oferecer o melhor aos nossos consumidores”, detalha a proprietária do frigorífico Cancelier, Marizete Brati. O frigorífico, localizado na comunidade de Areado, em Tubarão, está há 11 anos no Mercado do Produtor e também abastece mercados da região.
Mercado passará por reformas
O coordenador de Agricultura do município, Daniel Bitencourt, informa que o Mercado do Produtor foi fundado no dia 7 de maio de 1985. Desde então, o espaço recebeu poucas reformas. Ele destaca que há um projeto de revitalização. “Estamos em busca de recursos do governo do Estado. Atualmente, há 27 produtores cadastrados que trabalham no mercado, que possui 37 boxes, e 32 são utilizados. Os outros cinco estão abertos para comercialização de outros tipos de produtos”, convida. A secretaria estuda a possibilidade de abrir o local também aos sábados e ampliar a oferta de produtos orgânicos, que são muito procurados.
Fiscalização
A Vigilância Sanitária tem por objetivo prevenir danos à saúde da população e ações deste tipo servem para alertar para a importância da exigência do alvará sanitário pelo consumidor. “Somente este documento garante que o local foi vistoriado e encontra-se em condições higiênico-sanitárias. Não só na estrutura física, mas também o que se refere à procedência e armazenamento dos produtos, conforme legislação”, explica a coordenadora da Vigilância Sanitária, Fernanda Borghezan. Ela informa que o departamento exige que os produtos apresentem a procedência por meio de rótulos, que o agricultor tenha o Selo de Inspeção Municipal (SIM), Selo de Inspeção Estadual ou Federal para os produtores de outros municípios, rotulagem correta, licença de transporte, alvará sanitário, entre outros requisitos.
O Mercado do Produtor
Fundado no dia 7 de maio de 1985, o espaço foi licitado, porém, segundo o coordenador de Agricultura, desde 2009 não houve uma atualização dos contratos. “Tem pessoas lá que compraram o box, mas é um prédio público. Faremos um recadastramento de todos e a reforma, que desde o governo do ex-prefeito Genésio (Goulart) não foi mais mexido. O projeto de revitalização já está pronto e estamos em busca de recursos”, salienta. O mercado funciona todas terças e sextas-feiras. A pasta de Agricultura analisa a possibilidade de também atender aos sábados e investir na exposição de produtos orgânicos e artesanatos. “Queremos organizar o local e atrair o consumidor que procura um alimento saudável e diferenciado”, complementa o coordenador.